O avanço do saneamento básico no Brasil ainda passa longe de ser uniforme e o Acre é um retrato claro dessa desigualdade. Enquanto o país alcançou 70,4% de cobertura de esgoto em 2024, o estado permanece abaixo da média nacional, com pouco menos da metade da população atendida pela rede.
Dados divulgados pelo Brasil em Mapas, considerando a Pnad anual do IBGE, mostram que 49,7% dos acreanos têm acesso ao serviço de esgotamento sanitário. O índice, embora represente um avanço significativo nas últimas décadas, revela um cenário concentrado principalmente na capital. Rio Branco reúne 83% de cobertura, enquanto grande parte dos municípios do interior ainda enfrenta acesso limitado ou inexistente ao serviço.
O contraste urbano–rural evidencia que o progresso no Acre ocorre de forma desigual. Na prática, isso significa que os benefícios do saneamento, como redução de doenças, melhoria da qualidade de vida e impacto positivo no desenvolvimento, ainda não alcançam boa parte da população fora da capital.
Avanço histórico, mas ritmo insuficiente
O cenário atual marca uma evolução importante quando comparado aos anos 1990. Em 1990, apenas 21,1% da população acreana tinha acesso à rede de esgoto. À época, o estado figurava entre os piores índices do país, ao lado de outros estados da Região Norte, como Pará (18,1%), Amazonas (18,3%) e Amapá (18,3%).
No mesmo período, estados do Sul e Sudeste já apresentavam desempenho superior, como Rio Grande do Sul (27,2%) e Rio de Janeiro (27,0%), antecipando a desigualdade regional que persiste até hoje.
Em âmbito nacional, o saneamento avançou de forma mais acelerada a partir da segunda metade dos anos 1980. O Brasil saiu de cerca de 25% de cobertura em 1985 para 53,2% em 2000, chegando a 62,5% em 2010, impulsionado por investimentos públicos mais robustos. No entanto, a partir de 2015, crises econômicas e políticas desaceleraram a expansão, resultando em anos de estagnação.
Norte segue na lanterna
No recorte regional de 2024, o Acre integra a Região Norte, que apresenta a menor média de cobertura do país: 31%. O contraste com o Sudeste é expressivo, onde o índice chega a cerca de 90%. Estados como São Paulo (94,1%), Minas Gerais (84,6%) e Rio de Janeiro (89,2%) lideram o ranking.
A desigualdade também se reflete entre as capitais brasileiras. Enquanto São Paulo, Belo Horizonte e Salvador superam 98% de cobertura, capitais do Norte e do Nordeste ainda registram índices inferiores a 45%.
Desafio até 2033
Outro ponto de alerta é o ritmo de crescimento. Em 2024, a expansão nacional foi de apenas 0,9 ponto percentual, velocidade considerada insuficiente para cumprir a meta de 90% de cobertura até 2033, estabelecida pelo novo marco legal do saneamento.
Para alcançar esse objetivo, o Brasil precisará praticamente dobrar o ritmo anual de expansão e manter investimentos estimados entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões por ano.
No Acre, o principal desafio está em expandir o saneamento além de Rio Branco, reduzindo a distância em relação à média nacional e garantindo acesso efetivo nos municípios do interior. Apesar dos avanços acumulados desde os anos 1990, o saneamento básico segue como um dos maiores gargalos de infraestrutura do estado, com impactos diretos na saúde pública, no desenvolvimento social e na qualidade de vida da população.
