A morte da professora aposentada Nadir Nazaré Gomes de Souza, de 84 anos, ocorrida na manhã desta quinta-feira, 22, está sendo marcada por um forte clamor por justiça e transparência. Em nota oficial, a Associação dos Docentes da Universidade Federal do Acre (ADufac) denunciou o que classifica como um “procedimento mal conduzido” no Pronto Atendimento da Unimed Rio Branco, que teria levado à morte da educadora.
Procurada para prestar esclarecimentos sobre as circunstâncias técnicas e as falhas apontadas pela família, a assessoria da Unimed Rio Branco limitou-se a informar que “não comentará sobre o caso”.
Dona Nadir era uma figura respeitada no serviço público e mãe do professor Sérgio Roberto Gomes de Souza, professor do Curso de História, do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ensino de História (ProfHistória), da Universidade Federal do Acre (Ufac).
De acordo com o relato da família, endossado pela ADufac, a professora deu entrada na unidade de saúde para tratar um quadro de hiponatremia (baixa concentração de sódio no sangue). O protocolo médico padrão para esses casos exige uma reposição intravenosa lenta, geralmente ao longo de 8 horas, para evitar danos neurológicos.
No entanto, segundo a denúncia, a solução teria sido administrada em apenas 1 hora e 30 minutos. A aceleração fatal teria, segundo a nota, ocorrido por dois motivos principais: Falhas técnicas na bomba de infusão e a ausência de monitoramento adequado por parte da equipe de plantão.
“As consequências foram devastadoras. O excesso abrupto de sódio desencadeou taquicardia, duas paradas cardíacas e, posteriormente, uma lesão neurológica irreversível. Após 11 dias internada em Unidade de Terapia Intensiva, a professora Nadir não resistiu”, alega a nota.
Pedido de investigação rigorosa
A ADufac subiu o tom contra a empresa médica, afirmando que o caso “interpela a consciência pública”. A associação exige que o Ministério Público, a Polícia Civil, o Conselho Regional de Medicina (CRM) e o Conselho Regional de Enfermagem do Acre (Coren-AC) atuem com rigor, sem “corporativismo ou complacência”.
“Não cabe à sociedade aceitar explicações vagas, nem à empresa envolvida recolher-se ao silêncio. Trata-se da defesa do direito à vida e à boa prática médica”, diz trecho do documento assinado pela diretoria da entidade.
A Adufac encerra o manifesto observando que a necessidade de transparência e de boas práticas médicas. “Não se trata apenas de um luto familiar ou institucional. Trata-se da defesa do direito à vida, à boa prática médica e à responsabilidade dos serviços de saúde perante a sociedade.”
Confira a nota na íntegra
NOTA DE PESAR COM EXIGÊNCIA DE RESPOSTAS
Com profundo pesar, a ADufac comunica o falecimento da professora aposentada do Estado do Acre, Nadir Nazaré Gomes de Souza, aos 84 anos, ocorrida na manhã desta quinta-feira, 22/1, em Rio Branco (AC).
Ela era mãe do professor Sérgio Roberto Gomes de Souza, professor do Curso de História, do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) e Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ensino de História (ProfHistória), da Universidade Federal do Acre (UFAC).
A senhora Nadir Souza, ao que tudo indica, foi vítima de um procedimento mal conduzido no Pronto Atendimento da empresa médica Unimed, fato grave, que interpela a consciência pública e exige respostas imediatas e responsáveis.
Dona Nadir deu entrada na unidade para correção de um quadro de hiponatremia, que consiste na reposição de sódio, o que deveria ter sido administrado de modo intravenoso e lento, ao longo de 8 horas, para evitar danos neurológicos irreversíveis.
Contudo, segundo relato da família, a administração da solução foi realizada em apenas 1h30min, em razão de falhas técnicas na bomba de infusão e da ausência de monitoramento adequado.
As consequências foram devastadoras. O excesso abrupto de sódio desencadeou taquicardia, duas paradas cardíacas e, posteriormente, uma lesão neurológica irreversível. Após 11 dias internada em Unidade de Terapia Intensiva, a professora Nadir não resistiu.
Diante de fatos dessa gravidade, não cabe à sociedade aceitar explicações vagas, nem à empresa envolvida recolher-se ao silêncio.
A ADufac manifesta solidariedade irrestrita ao professor Sérgio Roberto, seus familiares e amigos, mas vai além: exige que a Unimed venha a público prestar esclarecimentos objetivos, técnicos e transparentes sobre as circunstâncias que levaram à morte da professora.
o mesmo modo, espera-se atuação rigorosa e célere dos órgãos de controle e fiscalização — Ministério Público, Polícia Civil, Conselho Regional de Medicina e Conselho Regional de Enfermagem do Estado do Acre — para que sejam apuradas todas as responsabilidades, sem corporativismo, omissões ou complacência.
Não se trata apenas de um luto familiar ou institucional. Trata-se da defesa do direito à vida, à boa prática médica e à responsabilidade dos serviços de saúde perante a sociedade.
A memória de Nadir Nazaré Gomes de Souza, educadora que dedicou sua vida ao serviço público, exige verdade, justiça e respeito.
O velório ocorre na Capela Central do Cemitério Morada da Paz. O sepultamento está marcado para esta sexta-feira, às 9 horas, no mesmo local.
À família, amigos e colegas, nossas condolências. À sociedade acreana, a obrigação de não esquecer.
Rio Branco (AC), 22 de janeiro de 2026.
Diretoria da ADufac.
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