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O que muda quando o ano vira? Psicóloga do Acre explica a sensação de recomeço e o impacto psicológico da virada

Virada do calendário funciona como marco simbólico que estimula esperança, revisão de hábitos e novos projetos, mas exige cuidado com cobranças e metas irreais.

Isabelle Magalhães por Isabelle Magalhães
01/01/2026 - 08:10
Foto: Freepik

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Com a chegada de um novo ano, a ideia de recomeço ganha força. A virada costuma estimular a revisão de hábitos, o desejo de mudança e a disposição para iniciar novos projetos. Para entender como esse período influencia o psicológico das pessoas, A GAZETA conversou com a psicóloga Genilsa Silva, que explica de que forma o início do ano atua como um marco simbólico na vida emocional.

A virada do ano provoca impactos psicológicos relevantes ao despertar sentimentos de otimismo e motivação para reorganizar a vida, rever escolhas e lidar de forma diferente com desafios pessoais. Esse momento também reforça a percepção de controle sobre a própria trajetória, fazendo com que muitas pessoas acreditem que podem promover mudanças e conduzir melhor seus caminhos.

Segundo a profissional, mesmo antes de alcançar objetivos concretos, sensações como esperança, alívio e motivação já se manifestam. Isso ocorre, em grande parte, pelo significado atribuído ao início de um novo ciclo.

O que muda quando o ano vira? Psicóloga do Acre explica a sensação de recomeço e o impacto psicológico da virada
Psicóloga Genilsa Silva/Foto: Arquivo Pessoal

“Essa experiência pode ser explicada pelo fato de atribuirmos significados simbólicos a esses marcos temporais. A virada do ano, portanto, pode representar uma ruptura com o passado imediato e criar essa sensação interna de que velhos hábitos podem ser abandonados”, explica a psicóloga.

Mesmo que o fim de ano possa parecer difícil também pode ser ressignificado com o começo do ano, com novos hábitos, novas estratégias e planos. A profissional dá algumas dicas de como manter a saúde mental durante essas épocas do ano. Confira:

  • Reduza a autocrítica

A autocrítica tende a se intensificar nessa época do ano, mas a psicóloga orienta que a forma mais saudável de lidar com esse processo é abandonar a lógica da cobrança excessiva e adotar um caminho mais centrado no autocuidado.

“Lidar de forma saudável com o fim e o início de ciclos exige uma mudança fundamental de postura interna”, aconselha a profissional.

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  • Reconheça seus limites e emoções

Outro ponto abordado por Genilsa é a forma como as metas são construídas. A psicóloga não recomenda a elaboração de objetivos rígidos ou altamente idealizados, pois esse tipo de expectativa tende a reforçar sentimentos de fracasso quando não é alcançada.

Entender que limites fazem parte da condição humana é essencial. Emoções como cansaço, tristeza e frustração não são sinais de fraqueza, mas respostas legítimas às experiências vividas.

  • Permita-se ser vulnerável

Compreender e acolher as próprias vulnerabilidades contribui para o fortalecimento emocional. Ao reconhecer fragilidades e permitir-se ser vulnerável, o indivíduo passa a construir força a partir da autenticidade, das vivências e do enfrentamento dos próprios processos. Colocando assim metas cabíveis para cada indivíduo.

“Aquilo que muitas vezes denominamos como fraqueza passa a ser compreendido como força quando reconhecemos nossas fragilidades e nos permitimos ser vulneráveis. Ao deixar essa lógica da fraqueza, passamos a experimentar a verdadeira força, que nasce da autenticidade, das vivências e do enfrentamento dos nossos próprios processos”, relata.

  • Apoio profissional e relações saudáveis

Segundo a profissional, o autocuidado deve ser compreendido como uma prática contínua, e não como uma promessa restrita ao início do ano. Quando o cansaço emocional se prolonga, buscar apoio profissional é uma estratégia de proteção da saúde mental e não deve ser visto como sinal de incapacidade ou fraqueza.

A psicóloga também ressalta a importância da construção de relações saudáveis, que exercem impacto positivo na proteção emocional e no processo de cuidado com a saúde mental ao longo do ano. 

“O ato de buscar ajuda não deve mais ser encarado como sinal de incapacidade, fraqueza ou falta de competência, mas como uma atitude de cuidado e responsabilidade com a própria saúde mental”, finaliza.

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