O Acre será uma das referências centrais da primeira edição da Bienal de Arquitetura Brasileira (BAB), que estreia em março, em São Paulo. O estado inspira um dos projetos desenvolvidos pelo arquiteto e designer Marcelo Rosenbaum, convidado a integrar a mostra com uma proposta baseada na realidade amazônica, considerando aspectos ambientais, sociais e culturais do território.
A Bienal será realizada no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque Ibirapuera, edifício projetado por Oscar Niemeyer. A iniciativa nasce com a proposta de aproximar a arquitetura do cotidiano das pessoas e ampliar o debate sobre como os projetos podem dialogar com os diferentes modos de vida no país. A organização é dos empresários Anna Rafaela Torino e Raphael Tristão.
Na curadoria da mostra, cada arquiteto foi convidado a desenvolver um conceito vinculado a uma região ou bioma brasileiro. No caso de Rosenbaum, o projeto inspirado no Acre dialoga diretamente com a Amazônia, explorando soluções arquitetônicas pensadas a partir do clima, da floresta, das comunidades tradicionais e das dinâmicas sociais da região.
A escolha do arquiteto para representar o estado está alinhada à sua trajetória profissional. Rosenbaum ganhou projeção nacional por projetos que valorizam saberes tradicionais, economia criativa e impacto social, frequentemente desenvolvidos em parceria com comunidades locais. Ao longo dos anos, seu trabalho tem buscado integrar design contemporâneo e identidade cultural, com forte conexão ao território.
Na Bienal, a proposta voltada ao Acre integra um conjunto diverso de projetos, que inclui desde residências urbanas, como um loft em São Paulo e uma casa no Corcovado, no Rio de Janeiro, até estruturas de maior escala, como um pavilhão concebido para Santa Catarina. O objetivo é evidenciar como a arquitetura pode responder a realidades distintas, do semiárido à floresta amazônica.

A criação da Bienal também se apoia em dados de uma pesquisa encomendada ao Datafolha, que apontou que menos de 10% das reformas realizadas no Brasil contam com acompanhamento de arquitetos. A partir desse diagnóstico, a mostra propõe ampliar a reflexão sobre o papel da arquitetura na qualidade de vida, no planejamento urbano e na relação das pessoas com o ambiente construído.
Com o projeto inspirado no Acre, Rosenbaum contribui para colocar a Amazônia no centro do debate arquitetônico nacional, apresentando o território não apenas como paisagem, mas como espaço de produção de conhecimento, cultura e soluções adaptadas à realidade brasileira.
A relação do arquiteto com o Acre não é recente. Entre seus trabalhos, destacam-se colaborações com o povo indígena Yawanawá, no próprio estado, na concepção de espaços comunitários, centros cerimoniais e estruturas de uso coletivo. Essa vivência direta com comunidades amazônicas também influencia a proposta apresentada na Bienal, reforçando a dimensão social e cultural do projeto.






