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Psicólogas do Acre destacam ansiedade, impacto das redes sociais e o papel da família na saúde mental de crianças e adolescentes

Psicólogas do Acre destacam ansiedade, impacto das redes sociais e o papel da família na saúde mental de crianças e adolescentes

Foto: Reprodução


O mês de janeiro é marcado pela campanha Janeiro Branco, voltada à conscientização sobre saúde mental. Além do público adulto, especialistas reforçam a necessidade de atenção específica às crianças e aos adolescentes. No segundo episódio da série Janeiro Branco, A GAZETA conversou com as psicólogas do Acre Genilsa Silva e Emilly Borges, que abordaram os principais desafios enfrentados por esse público e a importância do envolvimento familiar no cuidado emocional.

Psicólogas do Acre destacam ansiedade, impacto das redes sociais e o papel da família na saúde mental de crianças e adolescentes
Psicóloga Emilly Borges – Psicóloga Genilsa Silva/Foto: Arquivo pessoal.

Principais quadros observados
De acordo com a psicóloga Genilsa Silva, os quadros mais frequentes entre crianças e adolescentes atualmente envolvem ansiedade, depressão, transtornos de comportamento e dificuldades emocionais. Segundo ela, um dos principais desafios está relacionado ao uso excessivo de estímulos digitais, que interfere diretamente no sono, na regulação do humor e na capacidade de concentração.

A profissional destaca que a exposição constante a conteúdos idealizados nas redes sociais pode gerar comparações irreais, afetando a autoestima e o sentimento de pertencimento, especialmente na fase da adolescência.

“A exposição constante a conteúdos idealizados nas redes sociais, porque, como nós sabemos, nas redes sociais, a vida é muito perfeita, ela ocorre de uma forma muito perfeita, muito idealizada e isso pode levar a comparações irreais, impactando negativamente a esses pontos da autoestima, esse sentimento também de pertencimento, especificamente na fase da adolescência.”, afirma.

O papel da família no acolhimento emocional
As especialistas ressaltam que o ambiente familiar tem papel central no desenvolvimento emocional. Genilsa Silva orienta que a casa seja um espaço de acolhimento, diálogo, limites claros e afeto. Para ela, quando crianças e adolescentes se sentem seguros para expressar pensamentos e sentimentos sem medo de julgamento ou punição, tendem a desenvolver maior equilíbrio emocional.

A psicóloga também enfatiza a importância de ouvir sem minimizar o sofrimento apresentado. Segundo Genilsa, situações de vulnerabilidade não devem ser tratadas como “besteira” ou exagero, mas validadas como parte da experiência emocional da criança ou do adolescente.

Observação de comportamentos e limites
A psicóloga Emilly Borges, que atua diretamente com crianças e adolescentes, afirma que não considera adequado comparar uma criança com outra. Para ela, o mais importante é observar se determinado comportamento está trazendo prejuízos ao desenvolvimento.

“O papel do adulto responsável é perceber esses sinais e auxiliar essa criança ou adolescente a se desenvolver de forma mais saudável”, explica.

Sobre o uso das redes sociais, Emilly faz uma analogia ao comparar a entrega de um celular a uma criança com entregar um carro em alta velocidade a alguém que ainda não sabe dirigir. Ela destaca que a internet é um ambiente amplo, com informações ilimitadas, e que crianças não têm maturidade emocional para filtrar sozinhas o conteúdo consumido.

Segundo a psicóloga, além do tempo de exposição às telas, é fundamental observar o tipo de conteúdo acessado.

“A internet é um ambiente muito vasto, com informações praticamente ilimitadas, e a criança não tem maturidade emocional para filtrar tudo isso sozinha. Além dos prejuízos visuais e do excesso de estímulos, existe algo ainda mais sério, que é o conteúdo consumido. Muitas vezes se pensa que o problema das telas é só o tempo, mas o que a criança acessa é tão ou mais importante do que quanto tempo ela fica ali.”, afirma.

Presença ativa como fator de proteção
As profissionais alertam que pais e responsáveis devem estar presentes na vida emocional de crianças e adolescentes. Emilly Borges ressalta que ser presente não significa abrir mão da responsabilidade ou da autoridade. Para ela, uma postura totalmente passiva, com acesso irrestrito a conteúdos e ausência de acompanhamento, compromete o desenvolvimento saudável.

As psicólogas afirmam que a presença ativa e responsável da família funciona como um alicerce para a formação de adultos mais seguros emocionalmente.

“A presença ativa e responsável da família é um dos maiores fatores de proteção para a saúde mental”, conclui Emilly Borges.

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