O vestibular de Medicina, realizado neste domingo, 11, colocou os candidatos diante de um dos temas mais sensíveis e atuais da formação médica: os desafios éticos do exercício da medicina frente ao sofrimento humano. A prova de redação abordou a reflexão sobre empatia, responsabilidade profissional e a relação entre médico e paciente, enquanto as demais questões trouxeram assuntos ligados à realidade do Acre, à Amazônia e a conteúdos clássicos da literatura brasileira.
Ao todo, o processo seletivo registrou 5.314 inscritos pagantes, número superior ao do ano anterior, quando o ingresso no curso ainda utilizava a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O vestibular oferece 80 vagas para o curso de Medicina, sendo 40 para o primeiro semestre e 40 para o segundo semestre letivo de 2026, todas no campus sede, em Rio Branco.
Na redação, os estudantes tiveram como base o Juramento de Hipócrates, na versão atualizada pela Associação Médica Mundial, e um texto acadêmico que discute a dimensão ética do sofrimento na relação médico-paciente. A proposta levava os candidatos a refletirem sobre o papel do médico para além da técnica, destacando a importância da escuta, do respeito à autonomia do paciente e da sensibilidade diante da dor humana.
Outro ponto central do tema foi o desafio da medicina na era digital. O texto motivador abordou a influência das redes sociais e da internet, onde o acesso facilitado à informação pode gerar a falsa sensação de que “todos sabem sobre medicina”. Ainda assim, o enunciado reconheceu o valor do saber do paciente sobre sua própria doença, defendendo uma construção conjunta do cuidado.
Questões locais
Além da redação, o vestibular também valorizou o contexto regional. Em Geografia, três questões trataram de temas ligados ao Estado; já em História, duas questões abordaram aspectos acreanos.
Além disso, os candidatos enfrentaram questões com imagem de jornal e material institucional do governo, além de textos contemporâneos, incluindo um sobre Inteligência Artificial. A literatura também teve peso significativo na prova, com forte presença de Machado de Assis.

Reclamações
Tanto na chegada quanto na saída do exame, que foi realizado na Ufac, houve reclamações de desorganização quanto às filas, sobretudo de carros. Há relatos de falta de sinalização complementar – com uma indicação mais assertiva quanto às salas. Não havia, ainda segundo os candidatos, pessoas para ajudar na localização dos blocos e salas.
Muitos participantes tiveram de deixar os veículos na BR-364 por conta do engarrafamento; as filas, ainda de acordo com os participantes, chegavam quase à entrada do Conjunto Universitário.








