O nível do Rio Acre na capital acreana segue em ritmo de subida gradual, atingindo a marca de 14,70 metros na medição das 12h desta quinta-feira, 22. Apesar da tendência de elevação observada desde as primeiras horas do dia, quando o manancial registrava 14,68 metros às 5h21 e subiu para 14,69 metros às 9h, a coordenação municipal da Defesa Civil trabalha com uma perspectiva de desaceleração.
Em entrevista à A GAZETA, o coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, coronel Cláudio Falcão, explicou que o rio deve apresentar sinais de estabilização antes de alcançar a marca de 15 metros, baseando-se no comportamento atual do volume de águas.
“Nós estamos com uma subida lenta, onde nós tínhamos uma subida acelerada no dia de ontem e na noite, mas na madrugada ele começou a subir lentamente. Então, da maneira que ele se apresenta, acho que até ele ter uma vazante, ele não deve alcançar os 15 metros”, avalia Falcão.
Apesar de ter apresentado uma subida de 1,5 metros em Brasileia, o nível do Rio Acre já apresenta sinais de vazante em Xapuri, Capixaba e Assis Brasil, o que tem impacto direto na capital. “Nós estamos aqui com um aumento de nível do Riozinho do Rola também, que é importante, mas da maneira que está, ele não deve alcançar os 15 metros. Ele deve retrair um pouco antes”, enfatiza o comandante.
Chuvas
O cenário de alerta é reforçado pelo expressivo volume de chuvas registrado no mês de janeiro, que já acumula um total de 472,9mm. Nas últimas 24 horas, o acumulado de precipitação foi de 16,20mm, mantendo o solo encharcado e o rio 70 centímetros acima da cota de transbordo, que é de 14,00 metros.
“Previsão de chuva nós temos para todo o dia. Esse cenário pode estabilizar ou regredir a situação de instabilidade do nível do rio. O fato é que nós não temos nenhuma condição segura até o final de março. Até lá tudo pode acontecer, inclusive nada. E os dois meses piores são fevereiro e março. Então, até lá pode transbordar outra vez”, pondera o coronel.
Vale ressaltar que a cota de alerta, estipulada em 13,50 metros, foi ultrapassada há dias, mantendo as equipes de socorro em prontidão máxima para o atendimento das famílias atingidas nos 27 bairros já impactados. Mesmo com a previsão de estabilização abaixo dos 15 metros, o monitoramento permanece ininterrupto devido à instabilidade climática na região.

Vítimas da enchente
Até o momento, a estimativa é de que 2.286 pessoas foram atingidas diretamente (cerca de 631 famílias). As equipes de socorro concentram esforços em áreas críticas como Seis de Agosto, Cadeia Velha, Habitasa, Base, Benfica e Ayrton Senna.
Atualmente, há um abrigo ativo no Parque Wildy Viana, onde estão acolhidas 9 famílias, totalizando 21 pessoas, além de 4 animais. Também foram removidas 7 famílias indígenas para o abrigo instalado na Escola Leôncio de Carvalho, além de 5 famílias desalojadas, que somam 15 pessoas.
No bairro Casa Nova, foi registrado desmoronamento, e uma família deve ser removida ainda nesta manhã, conforme informado pela Defesa Civil