O cenário de enchente na capital acreana continua se agravando. Na manhã deste domingo, 18, o nível do Rio Acre atingiu a marca de 14,53 metros, mantendo uma tendência de elevação de aproximadamente 1 centímetro por hora – de acordo com informações da Defesa Civil Municipal.
À A GAZETA, o Comandante da Defesa Civil Municipal, Coronel Cláudio Falcão, alertou que o nível pode se aproximar da marca dos 15 metros nos próximos dias, impulsionado pelo grande volume de água que desce das cabeceiras, com destaque para Assis Brasil, que registrou uma subida de 2,5 metros em apenas 24 horas.
Em resposta logística ao desastre, o poder público já mobiliza diversas frentes de acolhimento. No Parque de Exposições Wildy Viana, seis famílias encontram-se abrigadas, totalizando 15 pessoas e seus animais de estimação.
Em uma ação estratégica para respeitar especificidades culturais, a Defesa Civil removeu sete famílias indígenas para a Escola Leôncio de Carvalho. Segundo o Coronel Falcão, essa medida visa oferecer uma estrutura adequada aos costumes e à cultura indígena, contando com o apoio direto da Secretaria Especial de Povos Indígenas (SEPI). Até o momento, 20 bairros foram afetados pela cheia, mas o número é dinâmico e deve ser atualizado para cima conforme o rio avança.
A previsão meteorológica não é favorável, indicando chuvas diárias até o próximo sábado, 24. Apesar de os volumes recentes terem sido baixos, o risco reside nos chamados “pancadões”, que podem despejar até 100 milímetros de uma única vez, agravando rapidamente a situação dos igarapés e do próprio Rio Acre.
“A tendência é que continue subindo, mas, eu creio que a a partir de amanhã [segunda-feira, 19], o Rio Acre comece a estabilizar”, explica Falcão.
Comunidades isoladas

Com a elevação das águas, em Rio Branco, cinco comunidades rurais encontram-se em isolamento terrestre: Panorama, Belo Jardim, Catuaba, Vista Alegre e Liberdade. Todas estão sendo assistidas pela Defesa Civil.