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Rio Acre volta a subir após chuvas e pode atingir cota de alerta ainda esta semana, alerta Defesa Civil

Rio Acre volta a subir após chuvas e pode atingir cota de alerta ainda esta semana, alerta Defesa Civil

Foto: Walcimar Júnior

A situação do Rio Acre em Rio Branco exige atenção redobrada após uma mudança no comportamento do manancial nas últimas horas. De acordo com o coordenador municipal da Defesa Civil, Coronel Cláudio Falcão, o rio apresentava uma tendência de vazante durante toda a terça-feira, 27, saindo de 12,50 metros às 05h14 e chegando à marca de 12,07 metros às 21h. No entanto, a partir da meia-noite, o cenário se inverteu e o nível começou a subir, atingindo 12,08 metros no fechamento do dia e alcançando 12,19 metros às 05h21 desta quarta-feira, 28.

Somente ontem, foram registrados 32 milímetros de chuva na capital, mas o principal fator de preocupação reside no volume de água que desce das cabeceiras, nos municípios do Alto Acre. O feito cascata faz com que as águas cheguem à capital nos próximos dias, o que pode resultar na subida do rio.

Em entrevista à A GAZETA, Falcão alertou para a possibilidade de o manancial atingir a cota de alerta de 13,50 metros ainda esta semana. Em Brasiléia, choveu mais de 140mm em um único dia, o que representa mais de dez dias de precipitação acumulada em apenas 24 horas. Esse impacto já é visível no aumento do nível do rio em outras cidades: Assis Brasil registrou uma subida de quase 4,5 metros, enquanto Brasiléia subiu quase 4 metros e Xapuri 2 metros. Como o tempo de deslocamento dessa massa de água de Assis Brasil até a capital é de aproximadamente 72 horas, a Defesa Civil prevê que o nível em Rio Branco sofra um impacto severo nos próximos dias.

Igarapés

Somado à subida do rio principal, o monitoramento dos igarapés da capital permanece constante, pois eles oferecem risco iminente de transbordamento sempre que ocorrem chuvas mais volumosas. O Coronel Falcão ressaltou que já existe um plano de contingência pronto para a retirada de famílias, caso as enxurradas avancem, lembrando que no final de dezembro esses afluentes chegaram muito próximos de transbordar.

Estamos fazendo o monitoramento constante, já com um plano de contingência de enxurrada pronto para a retirada de pessoas, se for o caso”, observa o comandante. Embora tenham chegado perto do limite em dezembro, até o momento não houve necessidade de remover famílias nesta nova elevação.

Entretanto, o cenário é de extrema tensão, pois a calha do Rio Acre não tem capacidade para suportar simultaneamente o volume das chuvas locais e a água que chega das cabeceiras, mantendo a cidade em um ciclo de agravamento constante do cenário de inundação.

Famílias seguem fora de casa

Atualmente, a Defesa Civil mantém famílias fora de suas residências. Atualmente, 10 famílias, com 27 pessoas e nove animais, estão abrigadas no Parque de Exposições. Outras sete famílias indígenas permanecem na Escola Leôncio de Carvalho, enquanto seis famílias, totalizando 14 pessoas, estão desalojadas e acolhidas em casas de parentes.

De acordo com a Defesa Civil Municipal, essas famílias só devem retornar para casa quando o rio atingir um patamar considerado seguro. Segundo ele, essa referência está em torno de dez metros.

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