
Criado para os pobres na Alemanha e usado como veículo de guerra, o Fusca se tornou mais que um carro com o passar dos anos e sua popularização ao redor do globo, o modelo se tornou um ícone pop.
O carro também foi febre no Brasil, ganhando para si um dia especial para comemorar, 20 de janeiro, em alusão ao início da fabricação do Fusca em território nacional, no ano de 1959. Ao longo dos anos, milhões de brasileiros tiveram suas trajetórias impactadas pelo “besourinho”, e nesta terça-feira, 20, A GAZETA mostra a história de um casal unido através da paixão pelo modelo.
João Acácio é professor e dono do Azulito, um Fusca azul de 1972. O carro surgiu na vida de Acácio não necessariamente como uma paixão, mas como uma necessidade. “Comprei ele no momento que eu precisava comprar um carro, e eu só tinha R$ 10 mil pra comprar um carro. Aí você imagina, que carro você compra com 10 mil?!?! Na época ele tava bem lascado, estava com o assoalho podre, tinha muita coisa pra fazer mas tava barato então comprei”, contou ele, destacando que o Azulito não é só lazer, e sim o seu carro do dia a dia.
Já sua esposa, Maria Eduarda Gírio é administradora e proprietária do Fucabala, nome dado pelo pai dela para o fusquinha de 1978. Ao contrário de Acácio, o carro não foi uma necessidade, mas uma paixão.
“Meu pai sempre gostou de carro muito antigo e a gente sempre teve esse negócio da família, de gostar de carro antigo. Ele já tinha um Opala e um GTI, e uns cinco anos atrás resolveu comprar um fusca, passou um tempo ele pensou em mandar todos os carros embora, pra São Paulo, mas eu me apeguei muito ao fusquinha, fiquei desolada, então conversamos e comprei carro”, revela.
Do fusca ao casamento
O começo da história do casal tem um “culpado”, já que o começo das interações entre Maria Eduarda e João foi Azulito. “A gente nunca tinha conversado, sempre trabalhamos no mesmo lugar, mas nunca tinha conversado. Mas um dia, em um encontro de amigos, a gente começou a conversar, ele falou que tinha comprado um Fusca, daí me chamou pra ir lá ver e tudo mais. Na época não tinha nem onde ela pisar direito, não tinha assoalho”, lembra ela.

João diz que os passeios junto ao Clube do Fusca também aproximou o casal. “Eu entrei pro clube, aí no clube começou a ter os passeios e eu sempre dizia ‘bora comigo’ aí a gente começou a ir pros passeios juntos”, disse. “Logo depois eu comprei o meu também, daí ele ia no dele, eu ia no meu. Ele via coisas pros carros, ia, comprando coisinhas, ele comprava ele e dizia ‘eu comprei pro teu carro também’, ele falava”, relembra.
Acácio aproveita o momento para relembrar histórias, e diz que já ofereceram muito dinheiro pelo carro, mas mesmo assim não teve coragem de vendê-lo. “Já me ofereceram muito mais do que gastei nele e eu me arrependi de não ter vendido. O cara ofereceu R$100 mil. Falei, ‘não, não vendo’. Eu estava bêbado, falei que esse carro é o carro da minha vida. Aí depois eu pensei, poxa dá pra comprar dois igual esse”, brincou.
Já Gírio, relembra uma viagem feita pelo casal até Cusco, no Perú. “Ano passado a gente foi pra Cusco nesse daqui a gente foi pra expedição lá com o pessoal da Toca do Fusca. Foi só alegria, muito bacana! A gente passava e o pessoal ficava olhando, as crianças no Peru todas olhavam, o Fusca faz sucesso”, disse.
Uma máquina de fazer amigos
João e Maria Eduarda contam ainda que, para além de um hobbie, Fucabala e Azulito proporcionaram diversos encontros com pessoas que se tornaram amigos do casal. “A gente, logo depois que a gente comprou o carro, a gente conheceu muita gente boa, que virou amigo pra vida. Então acho que é uma máquina de fazer amigo mesmo, de conhecer um ciclo de pessoas muito legais”, diz Acácio.

Maria Eduarda comenta que os carros sempre chamam atenção dos mais velhos quando estão andando juntos, o que já rendeu até mesmo propostas de compra. “ Tem um negócio que sempre acontece quando a gente anda de Fusca, é a gente para em algum lugar e sempre um velhinho vem perguntar do carro, qual o ano e de quanto a gente vende eles. ‘A parece estar arrumado’ eles dizem, começam a olhar e perguntar o ano”, brinca ela, destacando que não pretende vender o carro.
Fusquinha viajante
O próximo passo do casal com o carro é uma viagem ao Chile! “ A gente sempre dá uma voltinha neles, a gente vai viajar agora, a gente vai pro Chile com o pessoal do clube. Mas a gente vai só em um carro, a gente não tem condição de levar os dois, então vamos juntinhos mesmo”, diz Eduarda. “Mas assim, as viagens acho que é a parte mais legal de viajar. Vai um monte, vai com o mecânico junto também, claro. E dar um rolê de carro antigo é muito bom. Viajar de carro antigo é muito bom”, completa João.
O fim de um legado
A história do Fusca, que começou em 1950 no Brasil, seguiu até o começo dos anos 80, quando parou de ser fabricado, tendo seu lugar nas linhas de montagem da Volkswagen sendo assumido pelo seu sucessor espiritual, o Gol.

Porém, o clamor popular pelos besourinhos tomou as ruas, fazendo com que uma nova versão do veículo voltasse a ser comercializada em 1993, porém sem longa duração, encerrando sua produção antes mesmo do final da década, em 1996.
Porém, no ano seguinte, em 1997, o mundo conheceria as primeiras versões do New Beetle, o Novo Fusca, dessa vez com um toque a mais de luxo, não sendo mais considerado um carro popular.
Com três gerações ao longo dos anos, o carro só chegou em terras brasileiras em 2012, sendo produzido mundialmente até 2019, quando suas últimas unidades foram comercializadas no México.
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