Preso pela Polícia Federal na Operação Inceptio, que investiga um esquema interestadual de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro com ramificações no Acre e em outros cinco estados, o empresário André Borges se manifestou publicamente após a prisão. Em mensagem divulgada nas redes sociais, nesta sexta-feira, 9, ele afirmou que prefere manter a “consciência tranquila” e que acredita que “o tempo mostrará a verdade”, sem citar diretamente o inquérito em curso.
“Já fui vilão na história que alguém contou pra várias pessoas, eu ficava triste e me preocupava com o que os outros iriam pensar sobre o que falavam, hoje em dia nem ligo…. Prefiro minha paz, minha consciência tranquila, e depois que eu aprendi que o tempo mostra a verdade, não fico mais querendo me explicar pra ninguém”, enfatiza no post.
André foi um dos cinco empresários com atuação no Acre , durante a operação deflagrada pela Polícia Federal. Ele foi detido na Bahia e é apontado pelos investigadores como um dos responsáveis pela movimentação financeira do grupo, que, segundo a PF, utilizava empresas de fachada para ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas.
Administrador de empresas, Borges é sócio de empreendimentos ligados ao setor de entretenimento, como a Maison Borges Eventos e o Vegas Poker Club, e figura com frequência em publicações relacionadas à promoção de festas e camarotes privados.
Na publicação, o empresário diz acreditar que as “maiores bênçãos chegam logo após as maiores provações” e conclui afirmando que “Deus é justo”. “Sei que não tem como anular os efeitos que as mentiras contadas causam, mas os frutos que vou colher tendo a consciência tranquila não tem comparação. Todo mundo é vilão na boca ou na história que alguém contou sem te dar a oportunidade de contar sua versão e se defender mas deixa que o tempo vai passar e mostrar a verdade. O tempo é rei e ele conta realmente quem estava errado, quem perdeu o quê, quem errou com quem. Se existe uma coisa que eu aprendi, é que a colheita sempre vem”
Operação Inceptio
A Operação Inceptio teve início em Rio Branco e se estendeu a outros sete municípios, nos estados de Rondônia, Minas Gerais, Bahia, Paraíba e São Paulo. Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado enviava grandes carregamentos de drogas a partir do Acre para o Nordeste e o Sudeste do país.
De acordo com a PF, os valores obtidos com o tráfico eram movimentados por meio de contas bancárias, criptoativos e empresas de fachada. A Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 130 milhões em contas e o sequestro de bens avaliados em aproximadamente R$ 10 milhões.
Além de André Borges, foram presos os irmãos John Müller, Mayon Ricary e Marck Johnnes Lisboa, além do empresário Douglas Henrique Silva da Cruz. Eles devem responder por tráfico de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
A defesa dos irmãos Lisboa e de Douglas Henrique informou, em nota, que os clientes estão à disposição para colaborar com as investigações e confiam na apuração imparcial dos fatos. Até o momento, não há manifestação oficial da defesa de André Borges sobre as acusações.








