A megaoperação Casa Maior, deflagrada na manhã desta terça-feira, 13, pela Polícia Civil do Acre de forma integrada com o Ministério Público do Acre (MPAC), resultou na prisão de 15 pessoas e no cumprimento de mandatos no Acre e em mais seis estados brasileiros, com foco na desarticulação da cúpula da facção criminosa Comando Vermelho. As informações foram divulgadas em coletiva de imprensa pelo delegado-geral da PCAC, Henrique Maciel.
Ainda segundo Maciel, a ação foi deflagrada após mais de dois anos de investigação, envolvendo diferentes forças de segurança e órgãos do sistema de Justiça. Ele destacou ainda que a operação é resultado de um trabalho contínuo e articulado.
“Esse trabalho vem sendo feito há dois anos e não é a primeira vez que realizamos esse tipo de operação em parceria com o Gaeco [Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, do MPAC]. Vamos continuar fazendo, porque só assim vamos avançar”, afirmou. De acordo com ele, mais de 120 policiais civis participaram da ação, além de servidores do Ministério Público.

O coordenador do Gaeco/MPAC, o promotor Bernardo Albano destacou que a ofensiva teve como alvo direto os principais núcleos de decisão da organização criminosa. Ao todo, foram expedidos 62 mandados de prisão, além de mais de 100 mandados, incluindo buscas e apreensões, todos autorizados pelo Juízo das Garantias de Rio Branco. “Os alvos ocupavam posições de liderança, desde a chamada ‘Casa Maior’, que funciona como um conselho criminal, até núcleos financeiros, de comunicação e de apoio à gestão da facção”, explicou.

Atuação durante prisão
As investigações apontaram que integrantes da facção continuavam atuando mesmo presos, utilizando visitas e mensagens gravadas para manter o controle da organização. “Também foram identificados esquemas de tráfico de drogas, extorsão a comerciantes, cobrança de supostas “taxas de segurança” na região central de Rio Branco e ordens para a prática de homicídios, inclusive crimes ocorridos há anos”, enfatizou Bernardo.
A operação não se restringiu ao Acre. Conforme as autoridades, houve cumprimento de mandados e desdobramentos investigativos em mais seis estados: Mato Grosso, Goiás, Paraíba, Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Rio de Janeiro, o que mostrava uma atuação interestadual da facção e suas conexões nacionais.

O delegado Saulo Macedo ressaltou que o trabalho entra agora em uma nova fase, com a análise do vasto material apreendido, como celulares, documentos, valores em dinheiro e armas. “Sem provas, não há justiça. Esse material vai permitir avançar em novas frentes de investigação e dar base para futuras denúncias do Ministério Público”, afirmou.
Apesar de não encerrar definitivamente o problema do crime organizado, as autoridades avaliam que a operação representa um avanço significativo no enfrentamento às facções. “O combate ao crime organizado é um ciclo permanente. É um trabalho diário, contínuo, e essa operação foi um passo muito importante para a segurança pública do Acre”, concluiu o promotor Bernardo Albano.
