O ano de 2026 será decisivo para o futuro político do Acre. Em um mesmo pleito, o eleitor acreano irá escolher governador, dois senadores, deputados estaduais e federais, além do presidente da República, em um contexto marcado por disputas antecipadas, alianças instáveis e incertezas jurídicas.
O tabuleiro já começou a se mover com força em 2025, impulsionado por pré-candidaturas consolidadas, negociações partidárias intensas e pelo avanço de processos judiciais que podem alterar, de forma significativa, o cenário eleitoral.
A seguir, veja os principais pontos que devem pautar a política acreana ao longo do próximo ano:
1) Continuação do julgamento de Gladson e possíveis efeitos

O julgamento do governador Gladson Camelí (PP) no Superior Tribunal de Justiça (STJ), no âmbito da Operação Ptolomeu, deve ser retomado em 2026, após a apresentação do voto da relatora, ministra Nancy Andrighi, que já se manifestou pela condenação. Ainda faltam os votos dos demais ministros da Corte Especial para a definição do resultado final.
Em caso de condenação com trânsito em julgado, Gladson pode sofrer a perda dos direitos políticos, o que o tornaria inelegível. Esse é um fator observado com atenção por adversários e aliados, sobretudo porque o governador é pré-candidato ao Senado e aparece, até o momento, como favorito na disputa por uma das duas vagas.
Paralelamente, decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que anularam parte das provas da fase inicial da investigação levantaram dúvidas sobre possíveis reflexos no processo em curso no STJ. Ainda não está claro se essas movimentações poderão retardar, modificar ou limitar os efeitos da ação penal, o que mantém o tema como uma das maiores incógnitas de 2026.
2) Fortalecimento das principais pré-candidaturas ao governo
Três nomes despontam como protagonistas na corrida pelo governo do Acre: a vice-governadora Mailza Assis (PP), candidata do Palácio Rio Branco à sucessão de Gladson; o senador Alan Rick (Republicanos), que lidera as pesquisas até aqui; e o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PL), que ainda não bateu o martelo sobre sua decisão.
Mailza trabalha para consolidar uma ampla base de apoio partidário, reunindo siglas como PP, União Brasil, PSDB, PDT, Podemos, Solidariedade e, possivelmente, o MDB. Alan Rick, por sua vez, busca ampliar seu arco de alianças, mirando setores do centro e da direita.
O cenário indica que 2026 será marcado por intensas articulações, com partidos médios e pequenos se tornando peças-chave para a formação de chapas competitivas.
3) Bocalom no jogo ou fora do jogo?

A eventual candidatura de Tião Bocalom (PL) ao governo é uma das decisões mais complexas do processo eleitoral. Caso entre na disputa, Bocalom pode levar as eleições para o segundo turno, segundo as projeções das últimas pesquisas. Mas, caso seja derrotado, o prefeito perderá também o mandato para o qual foi reeleito em 2024, o que torna o movimento politicamente arriscado.
Outro fator delicado envolve a composição atual da prefeitura de Rio Branco. O vice-prefeito Alysson Bestene é do Progressistas, mesmo partido de Mailza Assis, o que evidencia uma aliança PL–PP no âmbito municipal. Uma candidatura de Bocalom ao governo, em oposição a Mailza, tende a tensionar ou até romper esse arranjo.
Apesar de Mailza demonstrar firmeza em manter sua pré-candidatura, a política costuma reservar surpresas. Não está descartada, portanto, um novo arranjo entre PL e PP, desta vez para o governo, a depender das circunstâncias.
4) Troca de partidos e desincompatibilização de cargos

Entre o início de março e o início de abril de 2026, ocorre a chamada “janela partidária”, período definido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em que deputados podem trocar de partido sem risco de perda de mandato. Tradicionalmente, esse é um dos momentos de maior movimentação no meio político.
Também entra em vigor o prazo de desincompatibilização, quando ocupantes de cargos públicos precisam se afastar das funções para disputar eleições. Esse processo tende a provocar exonerações, rearranjos administrativos e mudanças estratégicas nos governos e prefeituras. Ou seja, uma verdadeira dança das cadeiras.
5) Definição dos vices e convenções partidárias

Até agora, nenhum dos principais pré-candidatos ao governo definiu oficialmente seu vice. O tema tem sido evitado nas declarações públicas, com a justificativa de que a decisão ficará para 2026.
O que existe, no momento, são apenas sinais e pressões partidárias. O Novo, por exemplo, já indicou o nome de Ana Paula Correia para compor uma eventual chapa com Alan Rick, enquanto o MDB condiciona o apoio a Mailza à indicação do vice. As definições formais, no entanto, só ocorrerão durante as convenções partidárias.
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as convenções para as eleições de 2026 deverão ocorrer entre julho e agosto, período em que partidos oficializam candidaturas e coligações.
6) Eleições 2026

Em outubro de 2026, o Acre passará por uma eleição abrangente. Os eleitores conhecerão um novo governador ou governadora, elegerá dois senadores, 24 deputados estaduais, 8 deputados federais e o presidente da República para os próximos quatro anos.
O resultado das urnas definirá não apenas os rumos administrativos do estado, mas também o equilíbrio de forças políticas para a década seguinte.







