
O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, comentou a prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, capturado por forças dos Estados Unidos após uma operação militar em Caracas, no último sábado, 3. Ao avaliar os possíveis impactos imediatos da ação, Bocalom afirmou que a crise no país vizinho não será resolvida rapidamente, mas demonstrou convicção de que a “retomada da democracia e da liberdade econômica” pode levar à recuperação venezuelana.
Durante a entrevista nesta segunda-feira, 5, o prefeito respondeu a questionamentos sobre análises de economistas e jornalistas internacionais que apontam para um possível agravamento da crise no curto prazo. Segundo ele, qualquer plano de reconstrução depende do desdobramento dos acontecimentos.
“Como é que vai ter um resultado imediato se foi no sábado a ação? Agora é que vai se preparar um plano de recuperação da Venezuela”, afirmou.
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Economia, iniciativa privada e críticas ao Estado
Ao comentar o cenário econômico do país vizinho, Bocalom defendeu a redução da presença do Estado na economia e o fortalecimento da iniciativa privada.
“É só dar liberdade pra iniciativa privada poder trabalhar, tirar da mão do Estado, porque, na realidade, um narco-Estado que estava implantado lá”, declarou.
Para o prefeito, os problemas estruturais da Venezuela não serão resolvidos rapidamente. “Não pensa que vai resolver o problema da noite pro dia. Vai demorar algum tempo, mas não tenho dúvida nenhuma que voltando à liberdade, voltando à democracia na Venezuela, vai se reestabelecer a questão econômica”, disse.
Ele citou exemplos do cotidiano da população venezuelana para ilustrar a gravidade da crise social. “Saber que são 5 dólares o salário mínimo lá na Venezuela e que se o cidadão não responder uma série de questionamentos lá, ele não abastece o carro dele. Se você não atendeu os pedidos do governo, você não recebe sua ração. Então que governo é esse?”, questionou.
Avaliação sobre intervenções e reflexos regionais
Bocalom também comentou o temor manifestado por países da América Latina sobre a possibilidade de ações semelhantes ocorrerem em outras nações.
“Se for necessário em outros países a mesma intervenção pra acabar com o narcotráfico, eu acho que é importante o que o presidente Donald Trump está fazendo”, afirmou.
Ao ser questionado diretamente sobre riscos para o Brasil, Bocalom ponderou: “O Brasil, por enquanto, não está nesse ponto”. No entanto, criticou a relação do governo federal com Maduro ao longo dos últimos anos e mencionou a proximidade histórica entre lideranças de esquerda na região.
Prisão de Maduro
Após meses de especulações e operações próximas à costa venezuelana, forças norte-americanas realizaram ataques a pontos estratégicos de Caracas no sábado, culminando na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa. O casal foi levado para Nova York em um navio de guerra dos Estados Unidos.
No domingo, 4, as Forças Armadas da Venezuela reconheceram a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina do país. No mesmo dia, ela divulgou uma carta aberta ao governo norte-americano pedindo diálogo, o fim das hostilidades e a construção de uma agenda de colaboração, menos de 24 horas após a prisão de Maduro.
Para Bocalom, apesar das incertezas no curto prazo, a expectativa é de melhora no médio e longo prazo. “Então vai ficar melhor, não tenho dúvida nenhuma”, concluiu o prefeito de Rio Branco, ao comentar o futuro da Venezuela após a operação internacional.







