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“Disseram que era estresse”, diz mulher após anos com sinais de câncer

“Disseram que era estresse”, diz mulher após anos com sinais de câncer

Foto: Reprodução / Facebook

Durante anos, a britânica Karie Ivory, hoje com 52 anos, conviveu com sintomas considerados comuns: tosse seca persistente, azia, dores abdominais e cansaço. As queixas eram recorrentes, mas não despertavam suspeitas de algo mais sério.

Somente após uma longa investigação médica veio o diagnóstico correto: câncer neuroendócrino, um tipo raro de tumor que ainda é pouco conhecido e frequentemente identificado tardiamente.

A história de Karie faz parte de um novo relatório da organização Neuroendocrine Cancer UK, que alerta para o atraso no diagnóstico e para a falta de informação sobre a doença.

Um câncer de difícil diagnóstico

O câncer neuroendócrino se desenvolve em células produtoras de hormônios, presentes em vários órgãos do corpo, como pulmões, intestino e pâncreas. Por isso, os sintomas variam bastante e costumam se confundir com problemas comuns, o que dificulta o reconhecimento precoce.

De acordo com o relatório da Neuroendocrine Cancer UK, o tempo médio entre o início dos sintomas e o diagnóstico correto é de 4 anos e meio. No caso de Katie, o intervalo foi menor, mas ainda significativo.

“De certa forma, fui uma das pessoas sortudas. Levei apenas 15 meses para ser diagnosticada. E fui diagnosticada com câncer em estágio 3, em vez de estágio 4”, contou Karie pelas redes sociais.

Mesmo assim, o atraso deixou dúvidas sobre o impacto do tempo perdido.“Sempre existiu uma parte de mim que se perguntava se, ‘caso meu câncer tivesse sido detectado mais cedo, eu estaria livre dele e seguindo com a minha vida agora?’”, lembrou.

Erros médicos e sinais desconsiderados

Antes do diagnóstico, Karie procurou atendimento médico diversas vezes. Suas queixas foram atribuídas a condições como asma, refluxo, gotejamento pós-nasal e síndrome do intestino irritável. Em nenhum momento, segundo ela, houve uma investigação mais aprofundada.

“Meu clínico geral ignorou repetidamente minhas preocupações. Disseram que eu era uma mãe trabalhadora estressada e que meus sintomas não eram sinais de alerta”, disse. Com o tempo, ficou claro que os sintomas não eram passageiros nem inofensivos.

Apesar de pouco conhecido, o câncer neuroendócrino não é tão raro quanto parece. No Reino Unido, uma pessoa é diagnosticada com a doença a cada 90 minutos, segundo dados citados no relatório.

Ainda assim, a falta de informação dificultou a suspeita precoce, tanto por parte dos pacientes quanto dos profissionais de saúde. “Não se pode suspeitar de algo se não se conhece”, lamentou Karie.

Os sinais podem variar. Nem sempre eles aparecem juntos, mas o alerta é para sintomas persistentes. Entre os principais estão:

Ao compartilhar sua história, Karie afirmou que o objetivo é ampliar a conscientização sobre a doença e reduzir o tempo até o diagnóstico.

“Compartilho minha história não para obter empatia, mas na esperança de que, quanto mais pessoas estiverem cientes dos sinais e sintomas do câncer neuroendócrino, mais cedo ele poderá ser diagnosticado e tratado”.

Para ela, tornar esse tipo de câncer mais conhecido é essencial para evitar que outros pacientes passem anos convivendo com sintomas ignorados — e para que o tratamento comece antes que a doença avance.

Por: Metrópoles

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