Aos 15 anos, a estudante brasiliense Catarina Gurgel era uma adolescente saudável até que, durante as férias escolares de agosto de 2021, ela sentiu uma dor intensa na barriga, seguida por febre, vômitos e diarreia. Em poucos dias, o quadro se agravou.
Sem doenças prévias, sem uso regular de medicamentos e sem histórico recente de infecções importantes, Catarina não sabia o que um diagnóstico de infecção grave poderia significar.
A jovem passou a ter episódios frequentes de desmaio e não conseguia se manter em pé. “Era uma dor insuportável. Eu achei que fosse apendicite ou pedra no rim”, relembra.
A situação piorou rapidamente. Dois dias depois, ela estava com a pressão muito baixa e precisou ser internada. “Eu desmaiei 10 vezes em dois dias”, relata.
O que parecia uma infecção comum evoluiu para um quadro grave de sepse, conhecido popularmente como infecção generalizada. Rapidamente seus membros inferiores e superiores começaram a necrosar e, após avaliação médica, foi necessária a amputação da perna esquerda e do braço direito.
O que é infecção generalizada?
De acordo com o Ministério da Saúde, a sepse é uma reação exagerada do organismo diante de uma infecção. Em vez de combater apenas o agente invasor, o corpo passa a inflamar de forma descontrolada, o que pode comprometer órgãos como rins, pulmões e coração.
Quando há queda persistente da pressão arterial, mesmo após reposição de líquidos, o quadro evolui para choque séptico — estágio mais grave e com alto risco de morte.
O diagnóstico precoce é determinante. Segundo o ministério, cada hora de atraso no início do tratamento adequado aumenta o risco de complicações. O clínico geral Paulo Camiz, do Hospital Sírio-Libanês, explica que os sinais iniciais podem parecer comuns, mas alguns indicam gravidade.
“O principal critério de gravidade é quando a pessoa começa a ter uma baixa de pressão ou alteração da consciência. Ela fica confusa ou muito sonolenta. É um sinal de que está faltando perfusão de sangue para a cabeça”, afirma.
Segundo o médico, diminuição da urina (oligúria), extremidades frias e aumento do ácido lático no sangue também indicam que os órgãos não estão recebendo oxigênio adequadamente.
Em situações assim, é necessário ativar o protocolo de sepse, com exames laboratoriais amplos, coleta de culturas e início imediato de antibiótico na veia. “Cada hora de atraso aumenta muito a mortalidade de uma pessoa com infecção grave”, reforça o médico. Diante dos sintomas citados abaixo, a orientação é procurar atendimento imediato.
Sintomas de alerta para sepse
- Febre alta ou temperatura muito baixa.
- Coração acelerado.
- Respiração rápida.
- Pressão baixa.
- Confusão mental ou sonolência excessiva.
- Diminuição da urina.
- Extremidades frias.
- Desmaios.
No caso de Catarina, a infecção evoluiu para choque séptico. Para manter a pressão arterial e garantir circulação nos órgãos vitais, foi necessário uso de medicamentos como a noradrenalina, além de suporte intensivo.
Camiz explica que, em quadros extremos, tanto a gravidade da infecção quanto os medicamentos utilizados para manter a vida podem comprometer a circulação nas extremidades.
A combinação de fatores pode levar à necrose. Foi o que aconteceu com a jovem, que perdeu um braço e uma perna em consequência das complicações. Ela nunca descobriu a causa da infecção generalizada.
Hoje, aos 20 anos, Catarina usa próteses nos membros, é modelo, atriz e influenciadora digital. Nas redes sociais, apresenta-se como Cyborg Lolita, apelido que carrega com muito carinho.
Ela se define como otimista e diz que a experiência mudou sua visão sobre saúde e urgência médica. A nova rotina inclui acompanhamento médico contínuo, reabilitação e adaptação às próteses.
A história dela reforça que sintomas como dor intensa, desmaios, diarreia com sangue e pressão baixa não devem ser ignorados. Em casos de sepse, agir rápido pode ser a diferença entre a recuperação e as consequências permanentes.
Por: Metrópoles








