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Médico veterinário explica os riscos de domesticar animais silvestres

Médico veterinário explica os riscos de domesticar animais silvestres

Foto: Getty Images

Animais silvestres são aqueles que vivem na natureza e não passaram por um processo de adaptação ao convívio com humanos com o passar das gerações. Alguns exemplos são a onça-pintada, arara-azul, papagaio e tamanduá.

Domesticar um animal significa, de forma geral, transformá-lo em um pet, acostumando-o à vida dentro de casa e à presença constante de pessoas — algo que não ocorre de forma real com animais silvestres, mesmo quando nascem em cativeiro.

Ainda assim, criar um animal silvestre em casa parece, para muita gente, uma escolha inofensiva. A imagem de aves, répteis e pequenos mamíferos como “pets exóticos” circula nas redes sociais e ajuda a normalizar uma prática que traz riscos aos humanos, ao bem-estar dos próprios animais e ao equilíbrio da fauna brasileira.

Principais riscos de domesticar animais silvestres

Quando um animal silvestre é levado para dentro de casa, quem mais sofre, na maioria das vezes, é o próprio bicho. Mesmo com cuidados básicos, o ambiente doméstico não reproduz o que ele encontra na natureza. Isso compromete o comportamento, a saúde e a qualidade de vida ao longo do tempo.

O médico veterinário Edilberto Martinez, do Centro Integrado de Comportamento Animal, em Brasília, aponta que a maioria dos tutores não consegue oferecer dieta, espaço e condições ambientais adequadas para cada espécie expressar seu comportamento natural.

“A domesticação de animais silvestres envolve problemas de desnutrição, doenças metabólicas, alterações ósseas, problemas gastrointestinais, obesidade, deficiências vitamínicas, imunossupressão e distúrbios comportamentais”, afirma Martinez.

Os principais riscos da domesticação de animais silvestres incluem:

Riscos à saúde de quem convive com animais silvestres

Manter espécies silvestres em casa também traz riscos para as pessoas. Muitos desses animais podem carregar vírus, bactérias, fungos e parasitas que causam doenças em humanos.

O maior problema é que, na maioria das vezes, o animal não apresenta sinais de que está doente, fazendo o perigo passar despercebido. O risco também aumenta com o contato próximo, uma vez que mordidas, arranhões, a limpeza de gaiolas e o contato com fezes e secreções facilitam a transmissão de doenças.

Em casa, dificilmente existem cuidados sanitários semelhantes aos de ambientes especializados, o que amplia a exposição a infecções. Crianças, idosos e pessoas com a imunidade mais baixa são os mais vulneráveis.

Além disso, a convivência diária entre humanos, animais domésticos e silvestres facilita a circulação de microrganismos entre as espécies, o que também aumenta a chance de surgirem novas doenças.

Em alguns casos, domesticar animais é crime no país

Em muitos casos, manter um animal silvestre em casa configura crime ambiental no Brasil. A legislação protege a fauna justamente porque essas espécies cumprem funções essenciais na natureza e não devem ser retiradas de seu habitat para fins de criação doméstica.

A retirada direta da natureza, a compra de animais silvestres sem origem legal e a manutenção de espécies sem autorização dos órgãos competentes são condutas previstas em lei como infrações. Além de penalidades como multa e apreensão do animal, a pessoa pode responder criminalmente.

O médico veterinário Rodrigo Rabello Duemes, membro do Instituto de Biologia Marinha e Meio Ambiente (IBIMM), explica que em casos de domesticação de animais que não configuram crime, existem algumas práticas seguras que devem ser seguidas, como verificar as documentações e autorizações do processo.

“Primeiro, entenda se você é capaz de suprir todas as necessidades desse animal para que ele tenha bem-estar. E segundo, busque sempre um criador credenciado com todas as suas documentações e com as autorizações que são previstas em lei”, ensina Duemes.

Por: Metrópoles

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