A professora britânica Caroline Padmore, de 36 anos, conviveu por sete anos com dores abdominais intensas. Em vários momentos, ela desmaiou, vomitou e chegou a colapsar por causa da dor. Mesmo assim, ouviu repetidamente que era “nova demais para ter câncer”.
Ao longo desse período, recebeu diferentes explicações para os sintomas: cólicas menstruais fortes, síndrome dos ovários policísticos, apendicite e até estresse. Ela fez exames, inclusive ultrassons durante a gravidez do primeiro filho, mas nenhum deles apontou algo grave.
Foi apenas em dezembro de 2024, pouco tempo depois de dar à luz o primeiro filho, que novos exames mostraram que havia algo errado. Um ultrassom e uma tomografia revelaram alterações espalhadas pelo abdômen.
Em janeiro de 2025, uma biópsia confirmou: Caroline tinha carcinoma seroso de baixo grau (LGSOC), um tipo raro de câncer de ovário que representa entre 2% e 5% dos casos. A doença costuma ser mais comum entre os 45 e 55 anos, mas pode atingir mulheres mais jovens.
O câncer já estava em estágio 3C, o que significa que havia se espalhado além dos ovários. Em fevereiro de 2025, ela passou por uma cirurgia extensa. Os médicos retiraram os ovários, útero, colo do útero, omento, trompas de Falópio, apêndice e partes do fígado, diafragma e intestino.
Depois da cirurgia, Caroline fez quimioterapia e precisou usar uma ileostomia temporária, uma bolsa externa para eliminar fezes enquanto o intestino se recuperava. Em agosto de 2025, a britânica precisou de uma nova cirurgia de emergência no intestino — procedimento que, segundo os médicos, foi essencial para salvar sua vida.
Impactos físicos e emocionais
Com a retirada dos ovários, Caroline entrou em menopausa precoce de forma abrupta. Além disso, perdeu a chance de ter mais filhos — algo que descreveu como a parte mais dolorosa de todo o processo.
Durante a quimioterapia, usou touca térmica para tentar preservar os cabelos. Ainda assim, perdeu cílios e sobrancelhas. Após a reversão da ileostomia, outros exames encontraram mais células cancerígenas, embora não haja tumores visíveis nas imagens atuais.
Hoje, ela faz exames a cada três meses e usa medicamentos que ajudam a bloquear hormônios que estimulam o crescimento de tumores.
O câncer de ovário é conhecido por ser difícil de diagnosticar no início porque os sintomas podem parecer comuns e inespecíficos, como dor abdominal ou sensação de estufamento.
A história de Caroline reforça a importância de investigar sintomas persistentes, principalmente quando eles se repetem ou pioram com o tempo. Hoje, ela espera que seu caso sirva de alerta para que outras mulheres insistam em buscar respostas quando sentem que algo não está bem.
Por: Metrópoles