Quando um crime violento, envolvendo crueldade extrema contra pessoas ou animais, se torna público, a palavra “psicopata” costuma aparecer com frequência em debates nas redes sociais. Especialistas ouvidos pelo Metrópoles explicam que o diagnóstico do transtorno mental não é tão simples e explicam quais sinais devem ser levados em consideração.
Embora o termo seja popular, seu uso clínico é mais cuidadoso. “A palavra ‘psicopatia’ é muito usada quando um caso gera revolta, mas ele costuma individualizar a violência, como se fosse apenas resultado de uma falha pessoal ou de uma doença do sujeito”, diz o psicólogo Michel Petrella Silva, do Grupo Reinserir.
Na psiquiatria, o que aparece nos manuais diagnósticos não é um rótulo isolado chamado psicopatia, mas sim quadros como o transtorno de personalidade antissocial, avaliados ao longo do tempo e nunca com base em um episódio único.
“Não existe um diagnóstico isolado chamado ‘psicopatia’. O que se discute são transtornos avaliados ao longo do tempo e nunca a partir de um único episódio”, esclarece Michel.
Para o médico, também é essencial evitar explicações que reduzam toda a violência a uma questão individual, sem considerar o ambiente social em que ela se forma.
“A violência não nasce no vazio. Ela também é um sintoma social, produzida e reproduzida em contextos marcados por desigualdade e desumanização do outro”, aponta.
Violência contra animais é sinal de psicopatia?
Um dos comportamentos que costuma ser citado em discussões públicas é a violência contra animais. Para Michel, esse tipo de ato deve ser tratado como um sinal de alerta importante.
“A violência contra animais é um sinal muito sério e indica uma falha profunda na capacidade de reconhecer a vulnerabilidade do outro”, afirma.
Ele observa que o animal ocupa um lugar simbólico de cuidado e dependência dentro da comunidade, e atacar esse elo revela algo maior do que um ato isolado. “Mais do que tentar prever destinos individuais, esse tipo de violência revela a urgência de interromper ciclos de brutalização social”, diz.
Reportagem completa no Metrópoles