Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Exeter, no Reino Unido, sugere que pessoas com tuberculose podem enfrentar uma forma mais agressiva de infecção pelo fungo Cryptococcus neoformans, conhecido por provocar meningite fúngica.
O trabalho foi publicado na revista Journal of Medical Microbiology nessa segunda-feira (23/2) e investigou como o fungo se comporta quando encontra no organismo a bactéria Mycobacterium tuberculosis, responsável pela tuberculose.
Os resultados indicam que essa convivência pode favorecer alterações que tornam o microrganismo mais perigoso.
Fungo já preocupa a saúde pública
O Cryptococcus neoformans está entre os quatro fungos classificados como de prioridade crítica pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
A infecção geralmente ocorre pela inalação de partículas presentes no ambiente, frequentemente associadas a fezes de aves. Após atingir os pulmões, o microrganismo pode se espalhar para o sistema nervoso central e provocar meningite fúngica, uma condição potencialmente grave.
Estimativas globais indicam que cerca de 112 mil mortes em 2020 estiveram relacionadas à infecção. A preocupação aumenta em regiões onde a tuberculose também é comum, já que estudos vêm mostrando que a coinfecção pode elevar o risco de morte em comparação com a infecção fúngica isolada.
Os pesquisadores acreditavam que o contato com micobactérias poderia alterar características do fungo.
“Nossa hipótese era de que a convivência com espécies de Mycobacterium levaria a mudanças no tamanho e na forma das células do fungo, tornando-o mais patogênico”, afirmou Orlando Ross, autor do estudo, em comunicado.
Alterações que podem favorecer a infecção
Os experimentos confirmaram que o fungo sofre modificações importantes quando está associado à tuberculose. Foram observadas mudanças na densidade celular, maior diversidade de formas e alterações no tamanho da cápsula protetora que envolve o microrganismo.
Essa estrutura ajuda o fungo a escapar das defesas do organismo, e alterações nela podem aumentar sua capacidade de causar doenças.
Para entender melhor o impacto dessa interação, os cientistas também simularam o ambiente de um pulmão coinfectado. Nessas condições, as células de defesa apresentaram mais dificuldade para conter o crescimento do fungo.
“Isso mostra que a presença simultânea de patógenos bacterianos e fúngicos no pulmão pode agravar o prognóstico dos pacientes”, explicou Ross.
Ele destaca que esses microrganismos já são frequentemente encontrados juntos em regiões endêmicas, mas os efeitos direto da interação ainda não tinham sido investigados dessa forma.
Os autores ressaltam que os resultados ainda vêm de experimentos laboratoriais e precisam ser confirmados em modelos mais complexos antes de qualquer aplicação clínica.
Por: Metrópoles








