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Entenda como a pressa na hora de comer pode sabotar sua saúde

Entenda por que comer rápido prejudica saciedade, digestão e saúde mental e veja como desacelerar as refeições

A Gazeta do Acre por A Gazeta do Acre
24/02/2026 - 14:20
Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

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No dia a dia acelerado, muita gente não tem tempo para comer com calma. Almoça em dez minutos, janta em frente à TV e belisca qualquer coisa entre reuniões. Esse padrão não é inofensivo. A pressa na hora de comer mexe com saciedade, digestão, hormônios e saúde mental. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil está entre os países mais ansiosos do mundo. Esse cenário de ansiedade aparece também na forma como nos alimentamos.

Entenda como esse jeito rápido de comer sabota o corpo. Veja, também, o papel da atenção plena nas refeições e aprende estratégias práticas para desacelerar.

Por que a pressa para comer virou rotina

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Relatórios de tendências de consumo, como o Brasil Food Trends, mostram um paradoxo. Nunca se falou tanto em alimentação saudável. Ao mesmo tempo, cresce a busca por conveniência extrema.

As refeições ficam mais rápidas, mais individuais e mais silenciosas. Muitas acontecem em frente a telas, quase sem pausa real. Essa “alimentação distraída” tem um problema básico. Ela ignora o tempo que o cérebro precisa para perceber a saciedade.

Estudos indicam que o cérebro leva cerca de 20 minutos para registrar que já chegou comida suficiente. Quando você termina de comer em cinco ou dez minutos, a mensagem ainda não chegou.

Resultado provável: você come mais do que precisa. Só sente o peso no estômago quando já passou do ponto confortável.

O que acontece no corpo quando você come rápido

Comer rápido não é só questão de estilo. É um comportamento que interfere em processos neurológicos e digestivos.

A mastigação faz parte da digestão. Ela tritura o alimento e aciona sinais nervosos para o estômago e o intestino.

Quando a mastigação é apressada, esse sistema fica desregulado. O corpo recebe o alimento, mas sem preparo adequado.

O que isso pode gerar?

  • sensação de estufamento depois das refeições.
  • digestão lenta e azia em pessoas sensíveis.
  • picos maiores de glicose em alguns perfis.
  • maior chance de ganho de peso, a médio prazo.
  • Há também o efeito do estresse.

Comer sob pressão e distraída tende a manter o cortisol elevado.
Esse hormônio, ligado ao estresse, influencia sono, apetite e acúmulo de gordura.

A refeição, que deveria ajudar a regular o sistema, vira mais um momento de aceleração.
O corpo não entra em modo descanso.

Comer com atenção plena: o que é mindful eating

Dentro desse contexto surge o conceito de mindful eating. Em tradução livre, significa comer com atenção plena.

Não é dieta, nem menu fixo.
É um jeito diferente de se relacionar com o ato de comer.

A ideia central é simples.
Estar presente na refeição, perceber sabores, cheiros, texturas e sinais internos do corpo.

Quando isso não acontece, o processo muda.

Como explica Priscila Andrade, nutricionista e gerente de Marketing-Nutrição da Ajinomoto do Brasil,
“a digestão e a saciedade também são processos neurológicos”.

Se você come no “piloto automático”, focada em problemas ou telas, essa percepção enfraquece.

Segundo Priscila, “o corpo continua pedindo comida, não por fome física, mas por uma insatisfação sensorial e emocional”.

Comer no automático x comer presente

Compare duas situações comuns.

  • Na primeira, você almoça mexendo no celular. Quase não registra o sabor, engole em poucos minutos e volta ao trabalho.
  • Na segunda, você se senta, respira e olha o prato. Mastiga devagar, nota o gosto e sente a saciedade chegar.

No cenário automático, a comida entra, mas o prazer quase não é percebido.
Isso aumenta a chance de beliscar depois, buscando compensar a falta de satisfação.

No cenário atento, você aproveita mais o momento.
É mais fácil parar quando está confortável, e não lotada.

Como a indústria pode ajudar a mudar a forma de comer

Não é só responsabilidade individual. O jeito de comer hoje também sofre influência do mercado de alimentos. Por muito tempo, praticidade foi vista como inimiga da saúde. Produtos prontos eram associados a pressa, excesso de sódio e pouco cuidado.

Essa narrativa começou a mudar. A ideia é ressignificar a praticidade, não abandoná-la.

Quando o preparo é mais rápido, sobra tempo para sentar e comer com calma. O problema não é o macarrão que fica pronto em dez minutos. É usá-lo como justificativa para comer em cinco, em pé, na frente da pia.

Segundo Priscila Andrade, “a refeição é uma pausa necessária e importante”. Ela destaca que a indústria precisa oferecer opções que entreguem praticidade e experiência sensorial rica, ao mesmo tempo.

A empresa em que atua investe em receitas e conteúdos que incentivam a mudança de chave.
A proposta é sair do modo “engolir” para o modo “saborear”, como ela resume.

Como desacelerar na hora de comer

Desacelerar não exige refeições longas e perfeitas.
Pequenos ajustes já mudam muito a experiência de comer.

Observe sua fome antes de pegar o prato

Antes da primeira garfada, faça uma pausa rápida.
Pergunte a si mesma: quanta fome eu sinto, de zero a dez?

Essa escala simples ajuda a ajustar a porção.
Também treina a conexão com sinais internos.

Use a respiração como botão de pausa

Antes de comer, faça três respirações profundas.
Inspire pelo nariz, solte o ar pela boca, relaxe ombros e mandíbula.

Esse gesto reduz a ativação do estresse.
Você sai do modo alerta e entra em estado mais receptivo.

Diminua o ritmo do talher

Você não precisa contar mastigadas. Mas pode criar alguns novos hábitos.

  • Apoiar o talher entre uma garfada e outra.
  • Mastigar até sentir a textura mudar completamente.
  • Só pegar o próximo pedaço quando terminar o anterior.

Essas ações reduzem a velocidade sem esforço mental exagerado.

Afaste telas, pelo menos em uma refeição do dia

Se for impossível desligar telas sempre, escolha uma refeição para começar.
Pode ser o café da manhã ou o jantar.

Nessa refeição, deixe o celular longe e a TV desligada.
Apenas sente, coma e observe.

Você provavelmente vai notar que come menos e aproveita mais.
O cérebro consegue registrar sabores e sinais de saciedade.

Use a praticidade para ganhar tempo à mesa
Planeje refeições simples, com base em ingredientes que você realmente usa.
Corte legumes antes, congele porções, prepare marmitas.

A ideia é clara.
Menos tempo cozinhando, mais tempo sentada para comer com calma.

Comer com calma: conclusão e próximos passos na sua rotina
A forma como você escolhe comer dialoga diretamente com sua saúde física e mental.
Comer rápido não é um detalhe inocente, é um padrão que bagunça saciedade, digestão e bem-estar.

Ao entender que o cérebro precisa de tempo para registrar a refeição, fica mais fácil rever hábitos.
Não é sobre perfeição, e sim sobre melhorar um pouco a forma de comer todos os dias.

O convite é simples e realista.
Escolha uma refeição para ser sua “refeição de atenção plena”, respire antes de comer, reduza o ritmo e afaste telas.

Repita essa prática com constância.
Com o tempo, você tende a sentir mais prazer ao comer, menor necessidade de exagero e maior sensação de cuidado consigo mesma.

Por: Saúde em Dia 

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