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‘Não desejo pra ninguém essa dor’, diz mãe de crianças desaparecidas há um mês

Sem pistas, família relata o impacto emocional que o desaparecimento causou na família. Segundo a Polícia Civil, as buscas estão concentradas na comissão criada para investigar o caso.

A Gazeta do Acre por A Gazeta do Acre
04/02/2026 - 11:16
Arquivo pessoal

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Um mês após o desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, a família segue sem respostas sobre o paradeiro das crianças. A mãe, Clarice Cardoso, diz que vive dias de angústia e incerteza. A Polícia Civil afirma que as buscas estão concentradas na comissão criada para investigar o caso.

O último rastro das crianças foi encontrado por cães farejadores em uma cabana abandonada, chamada pelos policiais de “casa caída”. O local fica a cerca de 3,5 km, em linha reta, da comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, ponto de onde os irmãos e o primo, Anderson Kauã, desapareceram.

Sem novas pistas, a avó das crianças relatou o impacto emocional que o desaparecimento causou na família.

“Tá sendo um pesadelo, uma angústia, e não termina, não acaba. A gente sem nenhuma informação de nada”, disse a avó.
Segundo a polícia, vários depoimentos foram colhidos e surgiram suspeitas sobre a possível localização das crianças, mas nenhuma pista concreta foi confirmada.

Equipes especializadas em salvamento em áreas rurais continuam nas buscas. Imagens obtidas com exclusividade pelo g1 mostram o atual estágio das buscas pelos irmãos. Nos vídeos, equipes do Corpo de Bombeiros e do Exército Brasileiro realizam varreduras em áreas de mata e em pontos alagados da região.

O que diz a investigação

Em entrevista ao g1, o delegado-geral adjunto operacional da Polícia Civil, Ederson Martins, integrante da força-tarefa que atua no caso, afirmou que a investigação segue em andamento e que ainda não há conclusão.

“Já temos 30 dias de investigação, uma investigação bem robusta, com muitas páginas e dezenas de pessoas ouvidas”, afirmou o delegado.
Uma comissão especial criada pela Polícia Civil, formada por dois delegados de São Luís, e uma delegada de Bacabal, conduz o inquérito, que já ultrapassa 200 páginas.

De acordo com o delegado, diversas diligências foram realizadas ao longo desse período, incluindo reconstruções e análises técnicas.

“Temos a reconstrução do trajeto do carroceiro, desde o local onde ele foi localizado até a entrega no povoado, além da reconstrução do local onde as crianças estiveram juntas pela última vez, com a participação, inclusive, de um menor, após autorização judicial”, explicou.

O delegado informou ainda que a Polícia Civil está reunindo relatórios de todas as forças que atuaram nas buscas. Segundo ele, o Corpo de Bombeiros, a Marinha e o Exército também vão repassar à Polícia Civil toda a documentação referente às buscas.

Questionado sobre a possibilidade de divulgar novos detalhes sobre as investigações, Ederson Martins afirmou que, por enquanto, apenas as informações já divulgadas podem ser confirmadas.

O delegado reforçou que ainda faltam pistas e que a conclusão só será possível após esgotar todas as possibilidades.

Nos primeiros 20 dias de buscas pelas crianças, a força-tarefa percorreu mais de 200 quilômetros em operações por terra e por água, incluindo áreas de mata fechada e de difícil acesso.

A Marinha informou que foram realizadas buscas ao longo de 19 quilômetros do rio Mearim, sendo que cinco quilômetros foram vasculhados minuciosamente.

No dia 23 de janeiro, as buscas entraram em uma nova etapa, com buscas na mata reduzidas e foco na investigação policial. A mudança ocorreu após as equipes concluírem a varredura completa das áreas inicialmente mapeadas.

Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), as equipes permanecem em prontidão para retomar as buscas em locais específicos caso novos indícios surjam.

Mais de mil pessoas, entre agentes das forças de segurança estadual e federal, além de voluntários, participaram das ações.

As equipes continuam atuando em áreas de mata fechada, rios e lagos, com participação de investigadores da Polícia Civil, agentes da Força Estadual Integrada de Segurança Pública, do Centro Tático Aéreo (CTA), do Batalhão de Choque da Polícia Militar, do Exército Brasileiro e do Corpo de Bombeiros Militar.

A força-tarefa segue concentrada na base instalada no quilombo São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, onde as crianças moravam e foram vistas pela última vez.

‘Casa caída’ e o último rastro dos irmãos

Uma das pistas mais importantes dadas pelo primo, Anderson Kauã, à equipe foi a existência de uma casa abandonada no trajeto. Ele descreveu o local como “uma casa caída”, com uma cadeira velha, botas velhas e um colchão velho.

Segundo o menino, a estrutura estava tão destruída que não dava para permanecer dentro. As investigações e o rastreio dos cães confirmam a informação do menino.

“Os cães farejadores sentiram o cheiro dessas três crianças, inclusive da forma como o próprio Kauã descreveu”, afirma Maurício Martins, secretário de Estado de Segurança/MA.
Ele contou que ele e os primos chegaram a se abrigar ao pé de uma árvore próxima à casa. Ali teria acontecido a separação: Anderson Kauã seguiu por um lado da choupana, e as outras duas crianças, pelo outro.

“Ele não fala se ele seguiu para procurar ajuda ou para tentar voltar ao ponto inicial. As duas outras crianças já estavam extenuadas e ele resolveu seguir”, afirma Ederson Martins, delegado de polícia/MA.

Após alta médica, Anderson recebeu autorização judicial para participar das buscas e contou como o grupo se perdeu.

As informações dadas por ele ajudaram a reconstruir o trajeto. Segundo o menino, eles saíram para buscar maracujá perto da casa do pai dele e, para não serem vistos por um tio, decidiu entrar por outro caminho da mata.

De acordo com relato dele, a intenção inicial era seguir até um “pé de maracujá”, que ficava próximo da casa do pai dele. Para não serem vistos por um tio, o menino decidiu entrar por outro lado da mata, tentando dar a volta por dentro do matagal. A partir daí o grupo teria se perdido.

O menino afirmou que em nenhum momento eles foram acompanhados por um adulto na trilha e que não encontraram frutas que pudessem comer.

Cães farejadores e uso de tecnologias

Além do grande efetivo, as buscas mobilizaram um amplo aparato operacional e tecnológico para varredura em áreas de mata e em ambientes aquáticos, com o apoio de cães farejadores, mergulhadores, botes e lanchas. Também foram utilizados drones equipados com câmeras termais, capazes de identificar variações de calor em áreas de difícil acesso.

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Duas aeronaves do Centro Tático Aéreo foram deslocadas para a região, sendo empregadas no sobrevoo de áreas de mata e no apoio ao deslocamento de equipes de salvamento para locais de difícil acesso por via terrestre.

Para a varredura no leito do rio Mearim, a Marinha utilizou o side scan sonar, equipamento de alta tecnologia capaz de identificar qualquer objeto ou corpo estranho submerso, mesmo em águas turvas, característica do rio Mearim.

A força-tarefa adotou também o protocolo Amber Alert, alerta internacional em caso de desaparecimento de crianças.

O sistema Amber Alert emite alertas emergenciais em casos de desaparecimento ou sequestro de crianças e utiliza plataformas da Meta, como Facebook e Instagram, para divulgar informações e imagens das vítimas em um raio de até 200 quilômetros do local do desaparecimento.

O alerta é ativado por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e permanece ativo no feed de usuários da região. As notificações incluem dados como nome, características físicas e contato para envio de informações (veja na imagem acima).

Segundo o MJSP, o protocolo é utilizado de forma excepcional, quando há indícios de que a criança ou adolescente esteja em risco de morte ou de lesão corporal grave.

Por: G1

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