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Otorrinolaringologista aponta as principais causas de surdez evitável

Exposição ao ruído e falhas no tratamento de infecções ampliam risco de surdez evitável entre jovens e idosos. Saiba como prevenir.

A Gazeta do Acre por A Gazeta do Acre
28/02/2026 - 14:15
Foto: Pexels

Foto: Pexels

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A surdez evitável tem avançado silenciosamente no Brasil, impulsionada principalmente pela exposição excessiva ao ruído e pelo tratamento inadequado de infecções. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas entre 12 e 35 anos estão em risco de perda auditiva por exposição prolongada à música alta.

Para o otorrinolaringologista e professor da UnB André Sampaio, o aumento da surdez evitável acompanha uma sociedade cada vez mais barulhenta.

“A causa mais importante é a exposição sonora a ruídos de alta intensidade. Industrialização, aumento do número de veículos e música amplificada fazem parte de uma rotina mais ruidosa. Temos observado pacientes cada vez mais jovens com queixas e alterações reais nos exames”, afirma o especialista.

Segundo ele, muitos jovens não percebem inicialmente a perda auditiva. “O paciente não chega dizendo que está perdendo a audição, mas apresenta sinais indiretos, como zumbido e dificuldade de discriminar a fala”, explica.

Não existe volume totalmente seguro

Embora a legislação trabalhista estabeleça limites entre 80 e 85 decibéis para exposição ocupacional, Sampaio faz um alerta: esses parâmetros não devem ser interpretados como garantia de segurança no uso recreativo.

“Não existe volume considerado totalmente seguro. Quanto menor a intensidade e o tempo de exposição, menor o risco. A recomendação é reduzir volume e duração”, diz.
A fonoaudióloga Karla Lima de Queiroz, da clínica Aural Soluções Auditivas, na Paraíba, reforça que pequenas mudanças de hábito fazem diferença. Ela destaca a chamada regra 60/60, recomendada pela OMS: usar fones com até 60% do volume máximo por no máximo 60 minutos seguidos, com pausas de 10 a 15 minutos.

“O dano auditivo é resultado da intensidade multiplicada pelo tempo de exposição. A pausa permite que as células do ouvido interno se recuperem da fadiga metabólica”, explica.

Além de shows e obras, situações cotidianas também podem contribuir para a surdez evitável. Secadores de cabelo e aspiradores podem alcançar até 95 decibéis; aulas de spinning frequentemente ultrapassam 100 dB; e viagens longas com janelas abertas somam ruído de vento, motor e buzinas.

Após exposição intensa, Karla recomenda o chamado repouso auditivo. “O ouvido precisa de 14 a 16 horas de silêncio relativo, abaixo de 60 dB. Se houver zumbido ou sensação de ouvido abafado, houve lesão temporária. Sem descanso, pode se tornar permanente”, alerta.

Infecções e vacinação

As infecções das vias aéreas superiores também estão entre as principais causas de surdez evitável, especialmente quando evoluem para otite média. De acordo com Sampaio, na maioria dos casos a perda auditiva associada à otite é temporária, ocorrendo enquanto há secreção no ouvido médio. O problema surge quando o quadro não é tratado ou acompanhado adequadamente.

“Uma otite média aguda mal conduzida pode evoluir para um processo crônico, com destruição progressiva das estruturas do ouvido médio e sequelas irreparáveis”, afirma.

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A cobertura vacinal inadequada também influencia esse cenário. Doenças como rubéola e meningite têm impacto direto nos índices de perda auditiva. Segundo Karla, a rubéola na gestação é uma das principais causas de surdez congênita. Já a meningite pode causar ossificação da cóclea e perda auditiva profunda em crianças. “A vacinação reduz os casos dessas doenças e, consequentemente, suas sequelas auditivas”, explica.

Otorrinolaringologista aponta as principais causas de surdez evitável
Ouvir, mas não compreender totalmente o que foi dito pode indicar problemas de audição. Foto: Peter Dazeley/Gettyimages

Cera, medicamentos e prevenção

Outro erro comum é o uso de cotonetes. “O ouvido não deve ser manipulado. Hastes flexíveis podem traumatizar o canal auditivo e empurrar a cera para dentro, causando obstrução e perda auditiva transitória”, alerta Sampaio.

Karla acrescenta que certos medicamentos também representam risco. Antibióticos como a gentamicina, anti-inflamatórios e quimioterápicos podem ser ototóxicos, isto é, prejudicar as células do ouvido interno quando usados de forma inadequada.

A orientação dos especialistas é clara: qualquer sintoma como zumbido, sensação de ouvido tampado ou dificuldade para entender conversas deve ser avaliado por um otorrinolaringologista.

Além disso, a avaliação auditiva periódica é recomendada mesmo na ausência de sintomas. O teste da orelhinha deve ser feito ao nascer, e a audiometria precisa integrar o check-up antes da alfabetização, na vida adulta e, obrigatoriamente, após os 60 anos.

Prevenir a surdez evitável exige atenção contínua, ao volume dos fones, ao tratamento correto das infecções e à manutenção da vacinação em dia. O silêncio, nesse caso, pode ser um aliado poderoso.

Por: Metrópoles

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