A implantação de um hospital universitário no Acre depende da definição do governo estadual sobre a doação de uma unidade já existente para a Universidade Federal do Acre, segundo informou o ministro da Educação, Camilo Santana, durante visita em Rio Branco nesta quarta-feira, 25. A alternativa, conforme ele, é considerada mais rápida e menos onerosa do que a construção de um novo prédio.
“O mais caro de um hospital não é construir um hospital, é manter um hospital. Às vezes o custeio por ano do hospital equivale à construção dele”, afirmou. “Se eu gasto 200 milhões para construir um hospital, para eu manter todo ano é praticamente esse valor”, acrescentou, ao destacar o impacto do custeio anual.
Camilo Santana explicou que o governo federal tem ampliado investimentos nos hospitais universitários dentro da política do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “O governo federal está fazendo um volume de investimentos, ampliando o volume de investimentos nos nossos hospitais universitários, fazendo parte da política do Mais Especialistas. Está fazendo mutirões dos hospitais universitários para reduzir as filas de atendimento do SUS, porque todos os nossos hospitais são SUS”, declarou.
Ele ressaltou que as unidades, além de servirem ao ensino e à pesquisa, atendem a população em alta complexidade. “Além de ser um hospital de ensino, de pesquisa, é um hospital que atende a população em alta complexidade”, disse.
Modelo proposto para o Acre
O ministro citou exemplos adotados em outros estados que não possuíam hospital universitário. Em Roraima, segundo ele, o governo estadual doou uma unidade já existente. “O governador doou um hospital que era do estado, nós reformamos o hospital e já botamos para funcionar”, afirmou.
Em Rondônia, a estratégia envolveu a aquisição de um hospital privado pela prefeitura da capital. “O prefeito comprou um hospital privado, pagou 50% e está pagando o restante. Nós vamos assumir o hospital, fazer as mudanças, os investimentos necessários e doar para a universidade”, explicou.
Para o Acre, a proposta segue a mesma linha. “Desde 2023 o governador se comprometeu de doar esse hospital”, disse, referindo-se ao governador Gladson Cameli. “Eu tenho cobrado isso dele”, completou.
Recursos já reservados
Camilo Santana informou que há recursos federais disponíveis para adaptar a unidade, caso a doação seja confirmada. “A gente colocou 50 milhões disponíveis do PAC para fazer as melhorias, as reformas, compra de equipamentos para o hospital funcionar. Estamos com esse dinheiro lá guardado”, declarou.
Segundo ele, a construção de um hospital do zero exigiria investimento maior. “Para construir precisaria de 200, 250 milhões de reais. Então a ideia é que seria mais rápido como foi feito em Roraima e como está sendo feito em Rondônia”, afirmou.
Impasse e definição
O ministro afirmou que mantém diálogo com o governador e que aguarda uma posição final sobre a doação. “Nós mantemos uma boa relação. Aqui eu estou apenas dizendo que o atraso do hospital universitário aqui é porque a gente está esperando”, disse.
Ele reforçou que tentará uma nova conversa para definir o encaminhamento. “Eu vou tentar conversar novamente com o governador para que a gente possa definir se vai ser possível ou não essa doação desse hospital ou então buscar outra alternativa”, declarou.
Camilo Santana destacou que a orientação do presidente é garantir ao menos um hospital universitário em cada estado. “A decisão do presidente Lula é que nenhum estado desse país deixe de ter um hospital universitário, pelo menos um. E o Acre é o último que falta”, afirmou.