O professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), Mauro Cesar Rocha, que responde a processo administrativo disciplinar (PAD), ficará afastado das atividades acadêmicas por 60 dias para tratar de questões médicas e buscar a regularização de sua situação funcional junto à instituição.
O afastamento ocorre em meio à tramitação de um primeiro PAD instaurado pela universidade para apurar condutas atribuídas ao docente. Entre os fatos que motivaram a apuração estão declarações reiteradas consideradas discriminatórias no ambiente acadêmico.
Na segunda-feira, 23, durante assembleia docente extraordinária realizada no Centro de Filosofia e Ciências Humanas, convocada para deliberar sobre o afastamento do professor, foram relatadas novas manifestações atribuídas a Mauro. De acordo com depoimento da professora de Antropologia Ana Letícia de Fiori, registrado na Delegacia de Flagrantes (Defla), o docente voltou a afirmar que homossexuais teriam sido responsáveis por disseminar a Aids e que vítimas de abuso sexual “se tornam homossexuais e lésbicas”. Segundo o relato, ele também a chamou de “idiota”, “bruta”, “professora da pedofilia” e “defensora da pedofilia”.
No boletim de ocorrência, Ana Letícia informou que é bissexual e que, ao longo de aproximadamente dez anos, o professor teria propagado discriminação homofóbica em sala de aula, inclusive associando homossexualidade a abusos na infância. Ela relatou ainda que, em 2022, ouviu o docente fazer afirmações semelhantes em assembleia, e que, em setembro de 2025, ele anexou a um atestado de saúde apresentado à universidade um documento no qual a acusava de pedofilia. Após esse episódio, registrou ocorrência em delegacia especializada e informou que move ações cíveis e criminais contra o professor.
Durante a assembleia mais recente, conforme o depoimento, as falas foram reiteradas diante de cerca de 25 docentes. Diante do entendimento de que as declarações poderiam configurar crime de homofobia, a polícia foi acionada e ele foi conduzido à delegacia.
No curso do primeiro PAD, a perícia oficial da Ufac determinou a realização de exames médicos para avaliar as condições de saúde do servidor. Nesta etapa, não foram exigidos exames de natureza psicológica.
De acordo com informações apuradas pela equipe do portal A GAZETA, a universidade deverá instaurar um segundo processo administrativo disciplinar, no qual está prevista a ampliação das avaliações periciais. Diferentemente do primeiro procedimento, neste deverá ser solicitada também a realização de exames psicológicos, com o objetivo de verificar a aptidão do professor para o exercício das atividades em sala de aula.
A eventual conclusão pericial indicando inaptidão para o desempenho das funções docentes poderá subsidiar decisões administrativas mais severas. Entre as possibilidades previstas na legislação está a exoneração do servidor, caso fique constatada a impossibilidade de permanência no cargo por questões psicológicas.