Neste domingo, 8 de fevereiro, o Acre e o Brasil celebram os 68 anos de Marina Silva. Natural de Rio Branco, Marina é mais do que uma figura política; ela é o símbolo vivo da resiliência amazônica e da possibilidade de transformar a realidade através da educação e da militância.
Uma infância de desafios e superação
A história de Marina Silva começou no Seringal Bagaço, em uma comunidade chamada Breu Velho. Filha de seringueiros e integrante de uma família de 11 irmãos, sua infância foi marcada pelo trabalho na roça e pela extração do látex. Em um cenário de isolamento, a ministra só aprendeu as primeiras operações matemáticas aos 14 anos, para ajudar o pai a evitar prejuízos na venda da borracha.
Aos 15 anos, após a perda da mãe e enfrentando graves problemas de saúde, Marina mudou-se para a capital, Rio Branco, onde foi acolhida em um convento. Trabalhando como empregada doméstica, ela se alfabetizou aos 16 anos. O que parecia um destino traçado pela precariedade foi subvertido pela sede de conhecimento: em poucos anos, ela concluiu o ensino regular e formou-se em História pela Universidade Federal do Acre (Ufac).
Na década de 1980, a trajetória de Marina Silva cruzou-se com a de outro acreano, que ficou mundialmente conhecido: Chico Mendes. Juntos, eles lideraram os históricos “empates”, manifestações pacíficas organizadas para impedir o avanço das motosserras sobre a floresta. Nesse período, a militância ganhou estrutura com a fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Acre, da qual Marina foi uma das principais articuladoras.
Desde então, sua ascensão política foi marcada por um pioneirismo impressionante. Em 1988, Marina se elegeu como a vereadora mais votada de Rio Branco. Dois anos depois, conquistou uma vaga como deputada estadual do Acre e, em 1994, alcançou um feito histórico: aos 36 anos, tornou-se a senadora mais jovem de toda a história da República.

Protagonismo global e o retorno ao Ministério
Marina Silva atravessou as fronteiras do Acre para se tornar uma referência mundial em sustentabilidade. Ministra do Meio Ambiente pela primeira vez em 2003, ela implementou o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), que alcançou reduções históricas na destruição da floresta.
Após disputar a Presidência da República em três ocasiões (2010, 2014 e 2018), Marina retornou ao comando da pasta ambiental em 2023, agora renomeada como Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Sua gestão atual é marcada pelo desafio de reconstruir as políticas de fiscalização e colocar o Brasil novamente como líder nas negociações climáticas internacionais.
Legado de fé e ética
Conhecida por sua postura ética inabalável e por conciliar sua fé com o rigor científico, Marina Silva chega aos 68 anos reafirmando que a preservação da Amazônia é, antes de tudo, uma questão de sobrevivência para a humanidade. Para o povo acreano, sua trajetória permanece como um lembrete de que as raízes, por mais profundas que sejam na floresta, podem sustentar voos que alcançam os palcos mais importantes do mundo.
“O sonho é a matéria-prima da minha vida. E, hoje, ao completar 68 anos, tenho ainda mais certeza disso”, destacou Marina em uma postagem nas suas redes sociais.