A Fundação Nacional dos Povos Indígenas validou o relatório técnico de identificação e delimitação da Terra Indígena do povo Nawa, no interior do Acre, etapa que aproxima a comunidade do reconhecimento oficial de seu território tradicional após décadas de reivindicação.
A área reconhecida está situada entre os municípios de Mâncio Lima e Rodrigues Alves e possui cerca de 65 mil hectares. Com a aprovação do estudo, o território deixa de ser tratado apenas como reivindicação e passa a contar com delimitação administrativa definida, fase que antecede as próximas etapas legais do processo demarcatório.
Conforme o rito previsto na legislação, o procedimento segue agora para análise do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O ministro terá prazo de 30 dias para declarar oficialmente os limites da terra e determinar a demarcação física ou rejeitar a identificação realizada.
De acordo com dados do portal Terras Indígenas no Brasil, com base em informações de 2014, mais de 500 indígenas ocupam o território Nawa.
Considerados oficialmente extintos por cerca de um século, os Nawa tiveram sua presença apagada dos registros históricos após deixarem áreas próximas à atual cidade de Cruzeiro do Sul ainda no século XIX. A dispersão ocorreu em meio a epidemias, conflitos e à expansão econômica na região.
Documentos históricos chegaram a registrar, em 1893, que não haveria mais integrantes do povo no local. Na prática, porém, a população se dispersou pela floresta. Ao longo do tempo, parte dos Nawa passou a atuar como seringueiros durante os ciclos da borracha, sob regime de exploração.
O reconhecimento da continuidade do povo ganhou força a partir dos anos 2000, quando indigenistas identificaram famílias que mantinham a identidade Nawa, apesar de décadas de invisibilidade institucional.
Os Nawa mantêm presença tradicional na região do Rio Moa, dentro e no entorno do Parque Nacional da Serra do Divisor. A criação da unidade de conservação, sem consulta prévia, gerou disputas relacionadas à permanência e ao uso do território.