Dois exemplares de palmeira ouricuri albinas foram identificados na Estação Ecológica (Esec) Rio Acre, no interior do estado, durante uma expedição científica. O registro é considerado raro, já que a ausência de clorofila impede a fotossíntese e torna a sobrevivência dessas plantas dependente de um ambiente ecologicamente equilibrado.
As palmeiras foram localizadas durante atividade de campo realizada em parceria entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Federal do Acre (Ufac), com apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A descoberta ocorreu em uma unidade de conservação federal de proteção integral, onde a visitação é restrita a fins educacionais e científicos.
Segundo a pesquisadora Rita Portela, professora do Programa de Pós-Graduação em Ecologia da UFRJ, o nível de conservação da área é determinante para a ocorrência do fenômeno. “Nunca estive em uma unidade tão bem conservada. Isso propicia uma maior variabilidade de metabolismo e de fisiologia dos indivíduos de uma espécie”, afirmou. De acordo com ela, os registros de albinismo em plantas, até então, estavam associados principalmente a cultivos, como tabaco e cacau, ou a espécies mantidas em laboratório.
A ouricuri é considerada um recurso importante no ecossistema local, servindo de alimento para diversas espécies da fauna, como araras e macacos. No entanto, o albinismo representa um desafio biológico, pois a falta de clorofila impede que a planta realize o processo natural de produção de energia por meio da fotossíntese.
Monitoramento e apoio à pesquisa
Após a identificação dos exemplares, a equipe da Esec Rio Acre informou que os agentes temporários da unidade irão acompanhar a evolução das palmeiras albinas, observando as condições de sobrevivência ao longo do tempo.
A missão científica contou com financiamento do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e da Mudança do Clima (MMA), com gestão financeira do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio). O programa apoia atualmente 120 unidades de conservação federais e estaduais na Amazônia brasileira, incluindo ações de pesquisa, gestão e fiscalização.
Sobre a Esec Rio Acre
Criada em 1981, a Estação Ecológica Rio Acre protege uma área de quase 80 mil hectares. Classificada como floresta ombrófila aberta, a unidade apresenta forte presença de palmeiras e bambus e mantém acesso restrito, com interferência humana limitada a ações de restauração, preservação ecológica e coleta de material para fins científicos.
Registros recentes de onças-pintadas em comportamento de caça também foram feitos na área, indicando a manutenção do equilíbrio ecológico na unidade de conservação.








