Um ato público foi convocado em Rio Branco pelo Levante Feminista contra o Feminicídio no Acre após a repercussão da denúncia de suposto estupro coletivo envolvendo atletas do Vasco-AC e a contratação do goleiro Bruno Fernandes, condenado pelo assassinato de Eliza Samudio. A mobilização está marcada para sábado, 28, às 15h, em frente ao Estádio Tonicão, na Estrada da Floresta.
Segundo o movimento, os episódios não devem ser tratados como fatos isolados, mas como parte de um contexto mais amplo de violência de gênero. As organizadoras afirmam que a manifestação busca chamar atenção da sociedade, das autoridades e do meio esportivo para o enfrentamento da violência contra mulheres. O ato também utiliza o lema “Feminicida não merece torcida”, em referência à contratação do jogador.
Investigação segue em andamento
O caso ganhou repercussão após a denúncia de violência sexual coletiva contra duas mulheres, que teria ocorrido no dia 13 de fevereiro e sido atribuída a quatro atletas do Vasco-AC. O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) instaurou procedimento investigatório criminal para apurar os fatos.
A investigação inclui análise de depoimentos, conteúdos divulgados nas redes sociais, possíveis manifestações de incentivo à violência ou discriminação e eventual omissão de órgãos da justiça desportiva. Também foram solicitadas informações à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) e à entidade organizadora da competição esportiva.
A defesa dos atletas contesta as acusações e informou que protocolou pedidos de revogação de prisão e Habeas Corpus no Judiciário. Segundo os advogados, a versão apresentada nas denúncias é contestada e aguarda análise judicial.
Repercussão
A repercussão das investigações também resultou no encerramento de patrocínios ao clube. A rede de supermercados Arasuper anunciou a rescisão do contrato master firmado para a temporada 2026 após avaliação interna diante da crise. Posteriormente, o restaurante Picanha Mix também confirmou o rompimento, afirmando não compactuar com violência contra mulheres.
De acordo com o Levante Feminista, a mobilização pretende reforçar o debate público sobre violência de gênero, cobrar posicionamentos institucionais e incentivar medidas de prevenção e responsabilização em casos dessa natureza.









