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Os três vírus que podem desencadear novas crises em 2026

O mundo mal se recuperou da pandemia de covid-19 e três outros vírus já preocupam especialistas. Combinação de fatores tem favorecido evolução e propagação de patógenos.

A Gazeta do Acre por A Gazeta do Acre
19/02/2026 - 15:45
Partículas do vírus mpox (em verde) sobre células infectadas. Disseminação do patógeno ainda preocupa especialistas. — Foto: NIH-NIAID/IMAGE POINT FR/BSIP/picture alliance

Partículas do vírus mpox (em verde) sobre células infectadas. Disseminação do patógeno ainda preocupa especialistas. — Foto: NIH-NIAID/IMAGE POINT FR/BSIP/picture alliance

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O cenário global em 2026 apresenta um panorama viral complexo que mantém especialistas em doenças infecciosas em estado de alerta. Longe de termos deixado a era pandêmica para trás, uma combinação de fatores vem criando condições cada vez mais favoráveis para que vírus evoluam e se espalhem com velocidade crescente. Entre eles, aquecimento global, crescimento populacional e maior mobilidade humana.

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Em um artigo publicado na revista The Conversation, Patrick Jackson, professor adjunto de Doenças Infecciosas da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, identifica três vírus que merecem atenção especial neste ano: a gripe aviária H5N1, o mpox e o pouco conhecido vírus Oropouche.

Embora muito diferentes entre si, todos cruzaram novas fronteiras e ampliaram seu alcance. Isso não deve produzir alarmismo, mas sim vigilância estratégica diante de ameaças reais que mostram sinais de expansão.

Vírus Oropouche: ameaça cresce no Brasil
Provavelmente o menos conhecido dos três, mas cada vez mais citado em círculos científicos, o vírus Oropouche é transmitido por mosquitos diminutos e provoca sintomas semelhantes aos da gripe. Identificado na década de 1950 em Trinidad e Tobago, por muito tempo foi considerado restrito à região amazônica. Desde os anos 2000 vem se espalhando por outras áreas da América do Sul, América Central e Caribe.

Em 2023, ressurgiu com mais força e, no ano seguinte, mortes associadas ao vírus foram documentadas pela primeira vez no Brasil. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde, até agosto de 2025, o país concentrava 90% dos casos nas Américas, que se espalharam por 20 estados. Cinco mortes foram confirmadas – quatro no Rio de Janeiro e uma no Espírito Santo.

Casos começaram também a surgir na Europa ligados a viajantes infectados, segundo a revista especializada IFL Science. Também foram registrados episódios de transmissão vertical – de mãe para filho –, e investiga‑se uma possível relação com diagnósticos de microcefalia e óbitos fetais.

O quadro se torna ainda mais preocupante porque o inseto transmissor já se adaptou a amplas áreas do continente. Por enquanto, não existe vacina nem tratamento específico.

Diante desse cenário, como destacou o IFL Science, a Organização Mundial da Saúde (OMS) apresentou em 5 de janeiro de 2026 uma proposta para acelerar o desenvolvimento de ferramentas de prevenção e controle contra o Oropouche.

Gripe aviária H5N1: do gado aos humanos
A gripe A sempre foi uma ameaça constante devido à sua rápida capacidade de mutação e à facilidade com que infecta diferentes espécies. A última grande pandemia de gripe em 2009, a chamada gripe suína causada pela cepa H1N1, provocou mais de 280 mil mortes em seu primeiro ano.

Agora a atenção se volta ao H5N1, conhecido como gripe aviária. O vírus deixou de ser um problema exclusivo das aves em 2024, quando foi detectado pela primeira vez em vacas leiteiras nos Estados Unidos. Esse salto de espécie preocupou especialistas, especialmente porque não se tratou de um episódio isolado: o patógeno voltou a aparecer em rebanhos de vários estados americanos.

Estudos já sugerem que houve diversas transmissões de vacas para humanos, muitas sem sintomas aparentes. No Brasil, houve confirmação de gripe aviária em uma granja comercial em 2025. O grande temor é que o vírus consiga o que ainda não alcançou: adaptar‑se para se transmitir de forma eficiente entre pessoas, passo necessário para o surgimento de uma nova pandemia.

Até agora, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) registraram 71 casos humanos e duas mortes desde 2024, sem evidências de transmissão comunitária sustentada.

Ainda assim, vacinas específicas já estão em desenvolvimento, pois as formulações atuais provavelmente não ofereceriam proteção suficiente contra essa cepa. O instituto Butantan já realiza estudos pré-clínicos de segurança de uma vacina.

Mpox: duas variantes em circulação global
Durante décadas, o mpox foi uma doença rara, praticamente confinada a regiões específicas da África. Tudo mudou em 2022, quando a cepa clado IIb se espalhou por mais de cem países.
A transmissão por contato físico próximo, muitas vezes durante relações sexuais, transformou essa variante em um vírus que hoje circula de forma recorrente em diversos países.

Mas o mais preocupante ocorre em paralelo: desde 2024, países da África Central vêm registrando aumento de infecções também pela cepa clado I, considerada mais severa. Os Estados Unidos, inclusive, notificaram casos recentes em pessoas sem histórico de viagem à África. Embora exista uma vacina, ainda não há tratamento específico, e especialistas alertam que a evolução do vírus ao longo de 2026 pode trazer novos desafios sanitários.

Sarampo, chikungunya e outras ameaças virais em 2026
Além desses três protagonistas, outros vírus também começam a gerar preocupação. O chikungunya, por exemplo, provocou mais de 445 mil casos suspeitos e confirmados em 2025, com ao menos 155 mortes até setembro, segundo o IFL Science. Somente no Brasil, foram 129 mil casos e 121 mortes, de acordo com o painel monitoramento das arboviroses, do Ministério da Saúde.

Ao mesmo tempo, o vírus Nipah voltou ao radar após um surto recente no estado indiano de Bengala Ocidental, embora especialistas ressaltem que, por ora, ele não demonstra capacidade de causar uma pandemia. O Ministério da Saúde confirmou nesta semana que nenhum caso foi registrado no Brasil.

Há ainda os velhos conhecidos, que muitos acreditavam já controlados. O sarampo, por exemplo, ressurgiu com força em vários países devido à queda nas taxas de vacinação, colocando em risco até mesmo o status de erradicação da doença em lugares como os Estados Unidos.

Paralelamente, alguns especialistas alertam que vírus como o HIV podem voltar a crescer caso continuem os cortes em programas internacionais de cooperação em saúde.

Por: G1

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