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Psicóloga explica por que lembramos da crítica e esquecemos o elogio

A crítica ativa áreas de alerta do cérebro, enquanto o elogio pode passar despercebido. Psicóloga e psiquiatra esclarecem o que acontece.

A Gazeta do Acre por A Gazeta do Acre
01/02/2026 - 15:45
Oleg Breslavtsev/Getty Images

Oleg Breslavtsev/Getty Images

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Você já recebeu uma crítica e ficou lembrando dela por meses? Mesmo depois de receber algum tipo de reconhecimento, às vezes, um comentário negativo pequeno já é suficiente para que a sensação de insegurança tome conta da mente.

Apesar de ser um hábito bem desgastante, esse comportamento é comum e até faz sentido quando entendemos que o cérebro é programado para perceber primeiro os riscos, e só depois, os elogios.

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“A crítica ativa mecanismos de alerta ligados à rejeição e à preservação da imagem pessoal, enquanto o elogio não gera o mesmo nível de ativação emocional”, explica a psicóloga Denise Milk, do Rio Grande do Sul.

Cérebro é treinado para focar em riscos
O cérebro humano prioriza tudo aquilo que pode representar ameaça. Isso acontece porque, durante a evolução, identificar falhas, rejeições ou perigos foi essencial para a sobrevivência.

É por isso que estímulos negativos recebem essa atenção imediata. Mesmo quando a crítica é sutil, geralmente é interpretada como sinal de risco social, falha pessoal ou possibilidade de exclusão.

Já o elogio é bem diferente, ele transmite segurança e não precisa de uma resposta urgente do cérebro. Por isso, tende a ser processado de uma forma mais superficial e não fica gravado na memória da mesma forma que uma crítica.

Outro ponto é que a memória não registra todos os acontecimentos da mesma forma. Situações que provocam desconforto emocional costumam ser tratadas pelo cérebro como algo que precisa ser analisado com cuidado.

Diante de uma crítica, é comum a pessoa tentar entender o que deu errado, se poderia ter agido diferente e quais podem ser as consequências daquele comentário.

Esse processo faz com que o episódio seja revisitado várias vezes. A mente volta à cena, relembra palavras, tom de voz e contexto, numa tentativa de evitar que a situação se repita. Nesse contexto, quanto mais esse retorno acontece, mais forte fica a lembrança associada à crítica.

O elogio, como não desperta dúvida e nem ameaça, raramente é reavaliado ao longo do dia. Sem esse reforço mental, a lembrança perde força e fica em segundo plano na memória.

Nível de autoestima também influencia
Além de todas essas questões estruturais do cérebro, outro ponto que influencia é que a forma como elogios e críticas são recebidos depende do nível de autoestima de cada um.

Se a percepção da pessoa sobre o próprio valor já está fragilizada, o reconhecimento externo entra em conflito com essa imagem interna. O elogio soa exagerado, injustificado ou até suspeito, enquanto a crítica parece mais coerente com o que a pessoa já acredita sobre si.

Nesse cenário, o comentário negativo funciona como uma confirmação de inseguranças antigas, ao mesmo tempo em que os elogios podem ser facilmente desconsiderados.

Vivências passadas que moldam as reações atuais
Outro ponto que influencia a forma como recebemos julgamentos está relacionado às experiências anteriores, principalmente aquelas marcadas por cobranças excessivas, críticas ou falta de acolhimento. Isso acaba construindo um tipo de “memória emocional” sobre julgamento e rejeição.

Nesse contexto, se surge uma crítica no presente, o cérebro não reage só ao comentário atual, ele também associa a situação a vivências anteriores semelhantes, como se estivesse lidando de novo com aquele contexto antigo.

Por isso, a resposta emocional pode ser mais intensa do que o episódio de julgamento em si. É por isso também que situações simples ou pontuais acabam despertando reações desproporcionais, mesmo quando não há intenção clara de ataque ou desqualificação por parte de quem faz o comentário.

Quando devo me preocupar?
Não reagir bem às críticas uma vez ou outra é considerado normal, mas existe problema se a crítica começa a afetar o dia a dia, provoca medo de errar, autocrítica excessiva ou bloqueio em situações sociais e profissionais.

Nesses casos, buscar terapia ajuda a entender padrões de pensamento, fortalecer a autoestima e aprender a diferenciar críticas construtivas de julgamentos pessoais. Estratégias como questionar interpretações automáticas e refletir sobre a relevância do comentário também ajudam a lidar com essas situações.

“É pra se preocupar quando a crítica gera sofrimento intenso, ruminação constante, medo excessivo de errar, queda da autoestima e impacto no humor por dias ou semanas. Nesses casos, pode haver um transtorno de ansiedade, depressão ou outro quadro que merece avaliação psiquiátrica e acompanhamento adequado”, afirma a médica psiquiatra Jessica Martani, de São Paulo.

Por: Metrópoles

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