O período festivo do Carnaval é uma tradição que se estende ao longo dos anos no Brasil, além de movimentar os diversos setores da economia, a festividade já se caracteriza como maior festa popular do mundo. Cada região do país agrega suas características locais, no Acre, a celebração marca o desfile de tradicionais blocos de rua.
Em Rio Branco, o Bloco Urubu Cheiroso é um embaixador mais ilustre nas ruas da capital. Com uma trajetória que decolou em 1983, o coletivo transforma o “sujo” em luxo e a ironia em tradição, reafirmando-se como um pilar da memória afetiva acreana.
A inspiração para o nome veio de um clássico Flamengo x Fluminense no Rio de Janeiro. Segundo Álvaro Augusto Mendes, um dos fundadores e torcedor do tricolor carioca, a ideia surgiu após um urubu pousar perto da torcida rival. Entre comentários sobre o mau cheiro da ave, alguém ironizou: “Você já viu um urubu cheiroso?”.

A frase atravessou o país e aterrissou no Acre, onde o cenário da época, com urubus fazendo rasantes próximos ao aeroporto e a um antigo matadouro, selou o destino do bloco. O contraste entre a ave e o adjetivo “cheiroso” tornou-se o símbolo perfeito para uma folia sem frescuras.
Anos de ouro e a “Gravata” de Cajá
Nos anos 80, o bloco viveu sua era áurea, chegando a arrastar 10 mil foliões aos domingos, um mês antes do Carnaval oficial. A concentração histórica acontecia na sorveteria do Fabiano, onde os brincantes se preparavam com a famosa “gravata”: uma mistura de sorvete de cajá com cachaça.
Em 1986, o bloco quase foi barrado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) após boatos de que soltariam urubus vivos na avenida. O alvoroço só aumentou a expectativa: o Urubu Cheiroso desfilou com o enredo “Urubu Rei no Voo no Acre” e conquistou seu primeiro título oficial.
Renascimento e o Carnaval 2026
Após um período de recesso que começou em 1991, o bloco “dormiu” por 25 anos, retornando com força total em 2014. Durante a pandemia, o coletivo também ficou parado por quatro anos, a partir de 2020 (ano da pandemia da Covid-19), retornando em 2024.
Neste domingo, 15, o coletivo prepara um desfile que é puro resgate de identidade, com o tema: “Venha do jeito que der – o importante é ser Urubu Malandro!”
A mensagem do bloco para este ano é de inclusão total. “A festa é de todos e para todas as idades, cores e estilos”, afirma a organização, convidando veteranos dos anos 80 a levarem seus filhos e netos para manter viva a chama da cultura popular.
Programe-se para o Voo do Urubu:
-
Data: 15 de fevereiro (Domingo de Carnaval).
-
Concentração: A partir das 17h.
-
Local: Em frente ao prédio do INSS, na Avenida Getúlio Vargas (Centro).
-
Dica do Fundador: Homens e mulheres são bem-vindos com qualquer figurino.









