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Aluno de Rio Branco garante intercâmbio para Nasa e Disney após decisão judicial sobre autorização de viagem

Aluno de Rio Branco garante intercâmbio para Nasa e Disney após decisão judicial sobre autorização de viagem

Para o pequeno João, de apenas 11 anos, o horizonte deixou de ser o limite no momento em que seu nome apareceu na lista de selecionados para o programa de intercâmbio “Rumo à Nasa e à Disney” – iniciativa da Prefeitura de Rio Branco.

Aluno dedicado da rede pública de ensino do Acre, ele transformou horas de estudo na oportunidade de conhecer os centros de tecnologia espacial e a magia dos parques norte-americanos. No entanto, o êxtase da conquista foi subitamente interrompido por uma barreira invisível, mas profunda: o peso de uma autorização ausente.

O sonho que parecia tocar as estrelas corria o risco de ser interrompido no solo pela falta da assinatura paterna necessária para a viagem.

Por trás do esforço de João, existe a história de resistência de sua mãe, Ana. Mulher que traz na pele as cicatrizes de um passado marcado por violência doméstica e ameaças de morte, ela criou o filho sozinha desde o nascimento, sendo, simultaneamente, seu porto seguro e sua maior incentivadora.

Ao ver o filho vencer pelo próprio esforço, Ana não permitiu que o medo ou a burocracia do passado impedissem o futuro do menino. Movida pelo amor e pela urgência de proteger o direito que o filho conquistou, ela recorreu à Defensoria Pública do Acre, buscando na Rede Humanizada de Apoio a Meninas e Meninos (Rhuamm) o amparo necessário para garantir a guarda unilateral e a representação legal da criança.

Vitória judicial

O trabalho jurídico sensível resultou em uma decisão favorável que devolveu a paz à família. Ao garantir a guarda unilateral, a justiça permitiu que Ana assinasse toda a documentação para a emissão de passaporte e visto, autorizando as etapas administrativas da viagem nacional e internacional sem depender daquele que se ausentou da criação do filho.

O que para o sistema judicial é uma decisão em papel, para Ana e João foi a validação de uma vida de dedicação e o reconhecimento de que o mérito acadêmico não pode ser refém de traumas familiares.

Agora, o choro de preocupação deu lugar às lágrimas de orgulho. Com a segurança jurídica garantida, João segue empolgado com os preparativos: os trâmites do visto em Brasília e a organização das malas já fazem parte do novo cotidiano.

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