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Caso Vasco-AC: OAB emite nota de repúdio após denúncia de estupro coletivo envolvendo atletas em Rio Branco

Caso Vasco-AC: OAB emite nota de repúdio após denúncia de estupro coletivo envolvendo atletas em Rio Branco

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre (OAB/AC) divulgou, nesta terça-feira 17, uma nota oficial de repúdio e solidariedade relativa à denúncia de estupro envolvendo atletas da Associação Desportiva Vasco da Gama no Acre.

O caso, que tramita sob investigação da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), já resultou na prisão de um jogador e mantém outros três sob investigação.

Em documento assinado pela presidência e pelas comissões da Mulher Advogada e de Combate à Violência Doméstica, a OAB classificou o episódio como um ato de “extrema violência” e reforçou que crimes sexuais não podem ser relativizados sob argumentos culturais ou esportivos.

“É profundamente lamentável que o futebol, espaço de convivência social, seja associado a episódios de violência contra mulheres. Esporte é celebração; violência é crime”, diz trecho da nota.

Andamento das investigações

A Polícia Civil confirmou que recebeu a denúncia e que um dos envolvidos, identificado como Erick Luiz Serpa Santos Oliveira, foi preso preventivamente no último sábado, 14, após audiência de custódia. Outros três atletas são alvos de mandados de prisão temporária com prazo de 30 dias.

De acordo com as autoridades, embora o ato sexual tenha sido confirmado, a investigação ainda trabalha para classificar se houve estupro coletivo ou outras variantes do crime. A Justiça negou um pedido de habeas corpus protocolado em favor dos envolvidos.

A investigação detalha a denúncia de duas mulheres contra quatro atletas do Vasco-AC. Segundo o inquérito, embora as denunciantes relatem ter ido ao clube de maneira consensual, os fatos ocorridos no interior do alojamento teriam se desenrolado de forma oposta ao consentimento. A denúncia aponta que a situação evoluiu para atos de violência sexual, contradizendo a natureza inicial da visita ao local.

Defesa fala em “Narrativas Ficcionais”

Em entrevista à GAZETA, o advogado de defesa dos atletas, Atevaldo Santana, contestou as acusações. Segundo ele, as relações foram consensuais e a denúncia seria uma tentativa das supostas vítimas de prejudicar os jogadores.

Santana afirmou que possui provas, como prints de mensagens, que demonstrariam a ausência de trauma por parte das mulheres.

“A moça relata que o atleta EricK a agrediu com tapas, mas logo em seguida ela fica espontaneamente com outro atleta. Quem foi violentada não liga no dia seguinte perguntando se o parceiro usou preservativo”, argumentou o advogado, referindo-se a supostas mensagens enviadas por uma das denunciantes.

Segundo o advogado, as denunciantes já frequentaram o alojamento outras vezes. “Eram duas amigas que já frequentavam o local; eram costumazes a estar lá. Elas viviam lá mantendo relações com eles. Só viviam lá. E, desta vez, resolveram fazer isso com os rapazes. Eu tenho testemunhos de que elas saíram dizendo: ‘eu vou sacanear com a vida de vocês todos”, alega o advogado de defesa.

À GAZETA, a defesa informou que os outros três atletas envolvidos deverão se apresentar espontaneamente à delegada titular do caso, Michelle Boscaro, na próxima quinta-feira, 19, quando serão detidos para prestar depoimento.

A reportagem tentou contato com a delegada, mas até última atualização dessa matéria não obteve retorno.

Confira a nota da OAB/AC na íntegra

NOTA DE REPÚDIO E SOLIDARIEDADE

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre, por meio da Comissão da Mulher Advogada e da Comissão de Combate à Violência Doméstica e Contra a Mulher, manifesta sua mais veemente solidariedade à mulher vítima de estupro coletivo supostamente praticado por alguns jogadores de futebol da capital, repudiando de forma categórica esse ato de extrema violência.

A gravidade dos fatos noticiados exige apuração rigorosa e responsabilização exemplar, na forma da lei. Violência sexual é crime, constitui grave violação de direitos humanos e não pode ser relativizada sob qualquer argumento cultural, social ou esportivo.

Recentemente, esta Seccional lançou a campanha “Elas Jogam Junto”, iniciativa destinada a levar aos estádios e ao ambiente esportivo a pauta do enfrentamento à violência doméstica e contra a mulher. Estudos apontam que, em dias de jogos, há aumento nos registros de violência doméstica — realidade que impõe atuação preventiva e posicionamento institucional firme.

É profundamente lamentável que o futebol, expressão legítima da cultura nacional e espaço de convivência social, seja associado a episódios de violência contra mulheres. Esporte é celebração; violência é crime.

A OAB Acre permanecerá vigilante, acompanhando os desdobramentos do caso e adotando as providências institucionais cabíveis, reafirmando seu compromisso com a defesa intransigente dos direitos das mulheres, para que nenhuma violência seja naturalizada e nenhuma vítima seja silenciada.

Rio Branco/AC, 17 de fevereiro de 2026.

Thaís Moura
Presidente da OAB/AC, em exercício

Ruth Barros
Presidente da Caixa de Assistência da OAB/AC

Caruline Simão
Presidente da Comissão da Mulher Advogada

Socorro Rodrigues
Presidente da Comissão de Combate à Violência Doméstica e Contra a Mulher

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