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Comitê de Cultura Acre promove rodas de conversa sobre autogestão e ancestralidade no Vale do Purus

Comitê de Cultura Acre promove rodas de conversa sobre autogestão e ancestralidade no Vale do Purus

Foto: Neilson Abdallah

O Comitê de Cultura Acre realizou, nos dias 9 e 10 de fevereiro, uma imersão estratégica nos municípios de Manoel Urbano e Sena Madureira. A iniciativa, intitulada “Roda de Conversa Autogestão – Rede Viva: saberes que se conectam nos territórios”, buscou mapear como artistas e coletivos do interior do estado gerenciam suas atividades e como as políticas de fomento têm impactado essas comunidades.

Manoel Urbano: ancestralidade e protagonismo indígena

Em Manoel Urbano, a ação foi marcada por um forte componente identitário. Segundo a coordenação, o público foi composto quase integralmente por populações indígenas, incluindo a participação da pajé Dona Ivani, que mobilizou gerações de sua família para o encontro. A atividade contou com a presença de vozes locais como Ivan Pinheiro (Associação Indígena) e Elayne Camilo (Associação das Mulheres da Terra), além da artesã Ivani Aguiar.

A coordenadora geral do Comitê, Claudia Toledo, destacou a importância do acolhimento ritualístico durante a escuta:

“Eles levaram seus violões, fizeram uma música e um ritual de acolhimento para a gente. Foi muito bom o momento de olho no olho e reflexão. As mulheres também fizeram exposições de seus trabalhos com sementes e jarina”.

Sena Madureira: diversidade e pontos de cultura


Já em Sena Madureira, o foco se expandiu para a diversidade das linguagens urbanas e tradicionais. A roda de conversa reuniu artesãos, costureiras e representantes de entidades históricas, como a Associação Favela Viva e a Associação Arco-Íris — um dos pontos de cultura pioneiros do estado.

O encontro também abriu espaço para o debate sobre a economia da cultura com artistas das novas gerações, como o DJ João, que compartilhou sua experiência de circulação entre a comunidade local e festivais nacionais. O secretário municipal de Cultura, Léo, também acompanhou as discussões.

O caminho da autogestão

O objetivo central da “Rede Viva” é entender a autogestão na prática: como os coletivos mantêm sua sustentabilidade financeira e editorial. Para Claudia Toledo, esta etapa de interiorização é fundamental para consolidar o que o Comitê tem ouvido em todo o estado.

“Foi um momento muito construtivo. Em Sena Madureira, tivemos a participação de mestres de capoeira e artesãos, fechando essa etapa com um sentimento de que os saberes estão, de fato, se conectando”.

As informações coletadas nestas rodas de conversa servirão de base para o relatório que o Comitê enviará ao Ministério da Cultura (MinC), auxiliando no aperfeiçoamento das políticas culturais para as regiões de difícil acesso.

Realização

A roda de conversa não é uma ação isolada, mas parte de uma estratégia federal de descentralização. A iniciativa é realizada pelo Comitê de Cultura Acre, no âmbito do Programa Nacional dos Comitês de Cultura (PNCC), braço estratégico do Ministério da Cultura para fortalecer as políticas culturais em todo o território nacional.

Comitê de Cultura Acre promove rodas de conversa sobre autogestão e ancestralidade no Vale do Purus
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