O cenário de instabilidade do Rio Acre na capital acreana deve se estender pelos próximos meses. Segundo a Defesa Civil Municipal, embora o nível atual de 8,51 metros, registrado às 05h17 desta quinta-feira, 19, ainda esteja abaixo da cota de alerta de 13,50 metros, a oscilação é constante e o monitoramento foi intensificado em toda a bacia.
À GAZETA, o coronel Cláudio Falcão, coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, explica que o período exige cautela extrema. “Nós estamos numa instabilidade e vamos continuar nessa instabilidade até o final do mês de março. Já até o início de abril, a gente pode ter idas e vindas”, alertou o coordenador.
O Rio Acre já enfrentou três transbordamentos recentes, reflexo de um inverno rigoroso. Entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, o volume de chuvas na região foi mais do que o dobro do esperado para o período.
Apesar de o mês de fevereiro apresentar um comportamento dentro da normalidade sazonal, o histórico acumulado mantém o solo encharcado e os níveis elevados. “Nós já estamos aí há quase dois meses com o rio bastante alto, transbordando. Foram três transbordamentos, como você já sabe”, pontuou Falcão.
Monitoramento da Bacia
A subida do nível em Rio Branco é influenciada não apenas pelas chuvas locais, que registraram apenas dois milímetros nas últimas 24 horas, mas principalmente pelo que ocorre nas cabeceiras e afluentes, como o Riozinho do Rola.
De acordo com o boletim mais recente, a maioria dos pontos monitorados apresenta tendência de subida. Apenas três dos dez pontos de monitoramento estão baixando: Aldeia dos Patos, Brasiléia e Xapuri.
“A qualquer instante, a gente pode voltar para a cota de atenção, cota de alerta ou até mesmo cota de transbordo”, afirmou o Coronel Cláudio Falcão.
A Defesa Civil estima que, antes de atingir a marca crítica de 10 metros, o rio deva estabilizar e iniciar uma nova vazante, mas ressalta que a previsão é sensível às chuvas que continuam atingindo a região amazônica.