No coração de Rio Branco, onde o asfalto encontra a história da Praça da Floresta, um símbolo de resistência e tradição ganhou vida nova.
A icônica Banca do Pelé, que funciona desde 1972, foi o cenário de uma intervenção artística nesta quinta-feira, 5. A ação, que une o grafite à preservação da memória, transformou a fachada do empreendimento em uma galeria a céu aberto.
A revitalização foi assinada pelo coletivo TRZ Crew Graffiti Art, grupo com mais de 20 anos de atuação na capital acreana. Para Júnior TRZ, um dos artistas à frente do projeto, pintar a banca era um sonho antigo, motivado pela admiração à figura do próprio Pelé, o proprietário que desafia o tempo e as dificuldades do setor.
“Sempre quis pintar a banca do Pelé pela figura dele mesmo, um cara que eu sempre tive contato e entendo toda essa guerrilha dele de continuar nesse ofício que é tão desvalorizado hoje em dia. Nos sentimos muito felizes de estar podendo homenagear ele em vida”, afirmou Júnior TRZ.
O trabalho foi realizado a muitas mãos, contando com o talento dos artistas Cisko, Dems e MB, que aplicaram traços contemporâneos para dar uma nova identidade visual ao espaço sem apagar sua essência histórica.
Revitalização do Centro
A intervenção não ocorreu de forma isolada; ela integra um projeto conjunto entre a Prefeitura de Rio Branco e a Nãnê Sorvetes Amazônicos.
“Nós ganhamos a licitação pública do espaço do Bar Municipal e estamos envolvidos na articulação de um grande projeto de promoção de cultura, envolvendo a gastronomia e os sorvetes naturais no ambiente da Praça”, explica a empresária e proprietária da Nãnê Sorvetes, Izanelda Magalhães.
Foi Izanelda quem também realizou a articulação com a Fundação Elias Mansour (FEM) para garantir a participação do coletivo TRZ Crew na revitalização. “A FEM fez o convite para mim e para o meu coletivo, e a gente aceitou na hora”, explicou Júnior TRZ.
Disseminando arte urbana
O impacto da pintura na Banca do Pelé foi imediato e já gera frutos para o cenário urbano do Acre. Segundo os artistas, a aceitação positiva da comunidade abriu portas para novas intervenções na região central.
“Já rendeu outros trabalhos. Já estamos fazendo outras intervenções ali na banca do engraxate e fazendo a ‘Cobra Grande’ ali no Bar Municipal, para que a arte urbana seja cada dia mais valorizada e valorize os espaços também”, revelou o artista.
Com 54 anos de existência, a Banca do Pelé prova que, com um pouco de cor e reconhecimento, o patrimônio histórico de Rio Branco pode continuar sendo um ponto de encontro vibrante para as futuras gerações.








