O Acre poderá receber um sistema de armazenamento de energia por baterias (BESS) com tecnologia “grid-forming” para ampliar a confiabilidade do fornecimento elétrico em municípios do interior. A proposta, baseada em estudo técnico concluído pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), indica que a solução apresenta desempenho técnico e econômico superior à contratação de novas usinas termelétricas.
O projeto é voltado principalmente para os municípios de Cruzeiro do Sul, Feijó e Tarauacá, onde interrupções momentâneas no fornecimento ainda são registradas com certa frequência. Segundo a análise, as termelétricas existentes não possuem capacidade de operação sincronizada com a rede, o que limita a resposta imediata em situações de falha. Sistemas de baterias, por outro lado, conseguem reagir de forma praticamente instantânea para estabilizar o sistema elétrico.
O planejamento de curto prazo prevê a instalação de um sistema com potência de 100 MW e capacidade de 200 MWh, conectado ao barramento de 69 kV da Subestação Cruzeiro do Sul. A tecnologia grid-forming permite que o equipamento funcione como referência operacional da rede elétrica, prestando serviços ancilares e mantendo o funcionamento mesmo em situações de instabilidade.
Além da implantação do sistema de armazenamento, o plano estrutural prevê a expansão da rede de transmissão em 230 kV, com cerca de 640 quilômetros de novas linhas interligando Tucumã, Feijó e Cruzeiro do Sul. O traçado das estruturas deverá aproveitar corredores já existentes para reduzir a abertura de novas faixas e minimizar impactos socioambientais, incluindo áreas próximas à Terra Indígena Campinas/Katukina.
O investimento total estimado para a modernização do sistema elétrico na região é de aproximadamente R$925,22 milhões. Desse montante, R$230,48 milhões serão destinados ao sistema de baterias e R$694,74 milhões às obras de expansão da transmissão, considerando incentivos fiscais do Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (REIDI).
A adoção de sistemas de armazenamento também pode reduzir a necessidade de geração térmica baseada em combustíveis fósseis, aumentando a estabilidade do fornecimento em áreas isoladas. O tema integra discussões nacionais sobre o uso de baterias em larga escala, incluindo negociações recentes conduzidas pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, com empresas do setor, entre elas a Huawei, visando a participação de fabricantes no leilão de sistemas de armazenamento previsto para ocorrer no país em 2026. As informações são do site Canal Solar.








