Para muitos, o ativismo ambiental é visto como algo estritamente sério, operando apenas em gabinetes e conferências climáticas. No entanto, o Comitê Chico Mendes acaba de lançar mais uma iniciativa que subverte essa lógica: o Bloquinho do Chico. A campanha reafirma que a cultura da floresta também sai em bloco e que ocupar o espaço público com alegria é um ato de resistência profunda.
Como explica Hannah Lydia, coordenadora de comunicação do Comitê, a ideia surgiu para romper com o estigma de um ativismo “céptico” ou “limpo”. A campanha foi desenvolvida pela equipe do Comitê, a partir da construção das máscara do artista visual, Henrique de Almeida e sendo uma ideia do gestor criativo das redes sociais, José Lucas Alencar.
“O baile também é revolução”, afirma Hannah. “A gente acredita muito nessa ideia de que o frevo também é luta. Estamos em locais super sérios, mas também estamos nas ruas celebrando”.
A campanha baseia-se na premissa de que defender a floresta é defender o direito de viver com dignidade, e essa dignidade é indissociável da alegria. O Carnaval é apresentado como um território de quem desafia o sistema sem perder o brilho, transformando a resistência em dança.

““Vadiar também é um jeito de lutar””
Essa visão conecta-se diretamente com o pensamento de lideranças tradicionais, lembrando que a cultura da floresta não vive apenas no território físico da mata, mas nos corpos, nas festas populares e na memória compartilhada.
Folia com consciência e sustentabilidade

O material da campanha destaca que as festas populares são, em sua essência, o oposto da lógica capitalista: são coletivas, feitas a muitas mãos e sem o lucro no centro. Para que a folia seja coerente com a luta socioambiental, o Comitê propõe um Carnaval sustentável:
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Reaproveitamento: Incentivo ao uso criativo de materiais e reaproveitamento de fantasias.
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Consumo Consciente: Evitar descartáveis e plásticos, com atenção especial ao uso do glitter (microplástico).
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Cuidado Coletivo: Respeito rigoroso aos corpos e identidades de quem está ao lado.

Como participar
Ainda que o projeto nasça com força no ambiente digital, o objetivo é que ele ganhe o chão das ruas. Hannah Lydia revela que o “Bloquinho do Chico” é um “primeiro de muitos” e que a meta para os próximos anos é montar um bloco físico, “uma coisa mais palpável”.
Por enquanto, o convite é para que todos foliagem com consciência utilizando os elementos da identidade visual do Comitê. Para participar, basta seguir o passo a passo:
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Acesse o link na bio do Instagram do Comitê Chico Mendes e baixe os moldes das máscaras do Chico e dos encantados da floresta.
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Solte a criatividade na confecção do seu look carnavalesco.
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Poste sua foto marcando o Comitê e use as hashtags #CulturaDeFloresta e #BloquinhoDoChico.
A campanha é um chamado para lembrar que, seja na mata ou na avenida, a luta pela vida e pela liberdade continua. Afinal, como o Comitê faz questão de ressaltar: FREVO TAMBÉM É LUTA!.