A luta iniciada pelo líder seringueiro Chico Mendes nas décadas de 1970 e 1980 continua a atravessar fronteiras e a inspirar novas formas de resistência. Na semana passada, a capital alemã (Berlim) foi palco do “Diálogo Amazônico”, um encontro realizado no espaço Spore Initiative que reuniu o Comitê Chico Mendes, o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) e o Coletivo Varadouro junto ao grupo Chico Mendes Germany.
O debate central não se limitou à preservação ambiental isolada, mas sim a como o cenário global de conflitos e a ascensão de discursos extremistas pressionam as comunidades que vivem na linha de frente da conservação.
Para Angela Mendes, presidente do Comitê Chico Mendes, a instabilidade geopolítica mundial reflete diretamente no aumento da violência nos territórios. Segundo ela, a atividade em Berlim buscou articular estratégias de resistência para movimentos sociais que enfrentam desafios cada vez mais complexos.
“Em um cenário global marcado por conflitos e ascensão dos discursos e práticas extremistas a luta na Amazônia enfrenta novos e complexos desafios. Este encontro tem como objetivo analisar como a instabilidade geopolítica mundial impacta diretamente os territórios amazônicos e a segurança de suas lideranças”, explica Angela.
O encontro reforçou a ideia de que a proteção da floresta é indissociável da presença humana. Representantes do Chico Mendes Germany — grupo fundado originalmente em solidariedade a projetos indígenas na Guatemala — destacaram que o maior ensinamento do líder brasileiro foi a superação da visão colonial de “reservas ambientais sem gente”.
Autonomia e solidariedade
A discussão em Berlim trouxe à tona uma crítica ao modelo tradicional de conservação. Para os participantes, a experiência das Reservas Extrativistas (Resex) brasileiras provou ao mundo que pessoas e natureza podem se proteger mutuamente.
A articulação entre a Amazônia Brasileira e a Europa sinaliza que a luta por justiça social e ambiental é, agora mais do que nunca, uma pauta global e ininterrupta.








