O Acre descartou o caso suspeito de Mpox em Rio Branco, conforme confirmado pela Secretaria Municipal de Saúde. A caso o ocorre em meio ao monitoramento reforçado da doença no estado, que já enfrentou registros anteriores e mantém a rede hospitalar em prontidão. Apesar do descarte, é necessário que se mantenha atenção.
Entre 2022 e 2025, o Acre contabilizou 63 notificações e quatro casos confirmados da doença. A experiência anterior, segundo a Sesacre, permite resposta mais rápida diante de novos registros na região Norte.
Mas afinal, o que é a Mpox, como ocorre a transmissão e o que deve ser feito diante de um caso suspeito? Em entrevista ao portal A GAZETA, o infectologista Dr. Thor Dantas esclarece as principais dúvidas sobre a doença.

O que é a Mpox e como ela se manifesta?
A Mpox é uma doença viral que começa, na maioria dos casos, com sintomas semelhantes aos de uma infecção comum: febre, dor de cabeça, dores no corpo e mal-estar.
Um sinal que chama atenção é o aumento dos gânglios linfáticos, as chamadas ínguas. Essa característica que ajuda a diferenciar a doença de outras infecções de pele.
Dias depois, surgem lesões cutâneas que evoluem em diferentes estágios:
- iniciam como manchas na pele;
- evoluem para pequenas elevações (pápulas);
- transformam-se em bolhas com líquido (vesículas);
- posteriormente, secam e formam crostas, até a cicatrização completa.
As lesões costumam ser dolorosas e podem atingir:
- rosto;
- mãos e pés;
- região genital;
- mucosa oral (boca).
Quando a pessoa transmite o vírus?
A transmissão começa desde o aparecimento dos primeiros sintomas e só termina quando todas as lesões cicatrizam completamente
“A pessoa infectada é considerada contagiosa desde o início dos sintomas até a completa cicatrização das lesões, com a queda total das crostas e o surgimento de nova pele. Nesse período, a recomendação é manter isolamento domiciliar, evitando contato com outras pessoas até a recuperação completa, processo que costuma durar, em média, de duas a quatro semanas, a depender da evolução do quadro”, explica o médico.
Como ocorre o contágio?
A principal forma de transmissão é o contato direto com as lesões de pele. Isso inclui contato íntimo, mas não se limita a relações sexuais. Toques na pele, boca, olhos ou mucosas também podem transmitir o vírus.
Há ainda a possibilidade de contágio por objetos contaminados, como toalhas, roupas e roupas de cama, especialmente dentro de casa.
“Não é muito comum, mas é possível então essa pessoa contaminada deve ter o uso do seu utensílio de pessoal de roupa de toalha reservado só para ele. É importante lavar bem com água e sabão os talheres, copos, pratos, roupa, roupa de cama e de banho exclusiva e tentar evitar o contato na medida do possível”, conta.
Quem teve contato com caso suspeito precisa fazer o quê?
Quem manteve contato próximo com alguém suspeito deve monitorar o surgimento de sintomas por até 21 dias, período máximo de incubação do vírus.
Se não houver manifestação nesse intervalo, a infecção é descartada. Caso surjam febre, ínguas ou lesões na pele, a orientação é procurar imediatamente uma unidade de saúde.
A doença pode ser confundida com outras?
O médico explica que sim.
“Entre os principais diagnósticos diferenciais estão catapora, herpes simples, sífilis e impetigo. Por isso, a avaliação médica e a realização de exames laboratoriais são fundamentais para confirmar ou descartar a Mpox”.
Por que o momento atual exige atenção redobrada?
O aumento de casos em diferentes estados do país tem sido associado ao período de Carnaval, quando houve maior contato físico entre as pessoas.
“Eu acho que a principal medida para as pessoas se protegerem agora é primeiro ficarem atento a casos semelhantes e para fazer diagnóstico precoce se alguém tiver um caso se alguém teve contato vem de um período de muito contato entre as pessoas por causa do carnaval e com casos recentes aqui em Rondônia”, alerta Thor.
O que fazer diante de sintomas?
Ao perceber febre acompanhada de lesões na pele, a recomendação é procurar uma Unidade Básica de Saúde ou UPA. O caso deve ser notificado, o paciente orientado a permanecer em isolamento e o material coletado para exame.
Com a investigação em andamento em Rio Branco, as autoridades reforçam que a informação e a detecção precoce continuam sendo as principais ferramentas para evitar a disseminação da doença no estado.