A presidente do Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC), Dulce Benício, emitiu uma nota pública nesta quinta-feira, 19, manifestando profundo repúdio às recentes declarações de um treinador de futebol sobre o suposto estupro coletivo envolvendo atletas de um clube acreano. O caso, que já está sob investigação policial, ganhou repercussão após falas que, segundo a conselheira, tentam deslocar a responsabilidade da agressão para a vítima.
Para a conselheira, a gravidade do episódio exige uma apuração técnica rigorosa, mas não permite que o debate público seja pautado pela naturalização da violência. A presidente criticou duramente o uso de termos e conceitos que reforçam estereótipos de gênero e desqualificam a dignidade feminina.
Em sua manifestação, a presidente destacou que expressões utilizadas pelo técnico para justificar o comportamento dos atletas são inaceitáveis em um estado com altos índices de crimes contra a mulher.
“Expressões como ‘homens longe de casa’, a ideia de ‘invasão do alojamento’ ou a rotulação de mulheres como ‘Maria Chuteira’ não são neutras”, afirmou Dulce Benício.
A conselheira reforçou que tais manifestações são incompatíveis com os princípios de igualdade previstos na Constituição Federal e que a violência simbólica não pode ser tratada como mera opinião.
Compromisso com a dignidade
A nota do TCE-AC enfatiza que a dignidade das mulheres é um valor “inegociável” e que a sociedade não pode aceitar a relativização de crimes sexuais. O posicionamento da Corte de Contas soma-se às vozes que cobram justiça e proteção às vítimas, em um cenário onde o Acre enfrenta desafios constantes no combate ao feminicídio e ao estupro.
O caso segue sob sigilo de investigação pela Polícia Civil, que deverá apurar a conduta dos atletas e a veracidade das acusações.
Confira a nota na íntegra
Diante da notícia de um suposto estupro coletivo envolvendo atletas vinculados a um clube esportivo do Acre, atualmente sob investigação policial, e diante das declarações públicas do treinador da equipe sobre o episódio, manifesto repúdio.
A apuração dos fatos deve seguir com rigor técnico e respeito ao devido processo legal. Contudo, nenhuma circunstância autoriza declarações que relativizem a violência, desloquem a responsabilidade do agressor para a vítima ou recorram a estereótipos que a desumanizam.
Em um estado que enfrenta índices elevados de feminicídio e estupro, expressões como “homens longe de casa”, a ideia de “invasão do alojamento” ou a rotulação de mulheres como “Maria Chuteira” não são neutras. Tais manifestações são incompatíveis com os valores constitucionais da dignidade da pessoa humana e da igualdade entre homens e mulheres.
A violência contra mulheres — física ou simbólica — não pode ser naturalizada nem tratada como opinião. A dignidade das mulheres é inegociável.
Rio Branco-Acre, 19 de fevereiro de 2026.
Dulce Benício
Presidente do TCE-AC
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