Uma assembleia docente extraordinária realizada na Universidade Federal do Acre (Ufac) deliberou pelo afastamento das atividades acadêmicas do professor Mauro Cesar Rocha após declarações consideradas homofóbicas durante reunião no Centro de Filosofia e Ciências Humanas. O caso foi encaminhado à polícia após a repetição das falas, que, segundo docentes, configuram crime. O professor do curso de Ciências Sociais foi conduzido para a Delegacia Central de Flagrantes, em Rio Branco.
A reunião ocorreu nessa segunda-feira, 23, e contou com cerca de 25 professores. Durante o encontro, a professora de Antropologia Ana Letícia de Fiori relatou que o docente “ao invés de seguir o conteúdo programático em sala de aula, propaga a discriminação homofóbica”. Segundo ela, ao longo de aproximadamente dez anos, ele sustenta que “os homossexuais foram os responsáveis por disseminar a Aids” e que “o surgimento de homossexuais e lésbicas é decorrente de abusos na infância”.
Ainda conforme o relato, durante a assembleia que discutia o próprio afastamento, o professor teria reiterado as declarações. “Em assembleia para deliberar sobre o afastamento justamente do autor, ele ratificou que os homossexuais disseminaram a Aids e novamente disse que vítimas de pedofilia se tornam homossexuais e lésbicas”, afirmou.
A docente também relatou ter sido alvo de ofensas diretas. “O autor me chamou de idiota e bruta”, declarou. Ao manifestar desconforto com as falas, afirmou ter sido novamente atacada: “Ele me ofendeu me chamando de professora da pedofilia e defensora da pedofilia”.
Segundo a professora, o docente já havia anexado a um atestado de saúde apresentado à universidade, em setembro de 2025, um documento em que a acusava de pedofilia. “Após tal fato, registrei ocorrência na delegacia de discriminação, e atualmente estou com processos civis e criminais contra o autor”, relatou.
No boletim de ocorrência registrado na Delegacia de Flagrantes (Defla), Ana Letícia informou ser bissexual e declarou que as falas reiteradas configuram discriminação. Ela mencionou episódios anteriores, incluindo uma assembleia em 2022, quando teria ouvido o professor afirmar que “abuso sexual causa homossexualismo”, além de um episódio em 2025 envolvendo acusações contra outro docente.
“Desde então, faço tratamento psiquiátrico, pois adoeci por tal fato”, declarou. A professora acrescentou que “o discurso de ódio provocado pelo autor gera medo de algum atentado”.
A assembleia foi aberta pela diretora do Centro, professora Geórgia, que informou ter convidado representantes da Pró-Reitoria de Graduação e da Pró-Reitoria de Desenvolvimento e Gestão de Pessoal, a pedido do próprio professor. Após novas manifestações consideradas ofensivas e a recusa em aceitar acompanhamento institucional, a polícia foi acionada.
Até o momento, a Universidade Federal do Acre não se manifestou oficialmente sobre eventual afastamento definitivo ou abertura de processo administrativo disciplinar. O caso deverá ser apurado nas esferas administrativa e criminal.
O espaço permanece aberto para manifestação do professor citado. A Ufac informou que deve divulgar posicionamento oficial posteriormente.






