O profissional de educação física e concurseiro Igor Derek publicou um vídeo nas redes sociais relatando a própria experiência com a exigência do Índice de Massa Corporal (IMC) em concursos públicos de carreira militar. A manifestação ocorreu após ele simular o próprio índice para a etapa de saúde do concurso da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PM-SP) 2025, para o cargo de soldado, no qual está aprovado para as próximas fases.
“Eu tô participando de um concurso público, onde uma das etapas da saúde pede o IMC. Pra você que não conhece, é o índice de massa corporal. Ele vai pegar o seu peso corporal e dividir pela sua altura”, explicou.
Segundo o edital citado por ele, é considerado apto o candidato com IMC entre 18 e 25. “Segundo a tabela, o resultado normal vai de 18,5 a 24,9. A partir de 25 até 29,9 é caracterizado como sobrepeso”, afirmou.
Igor relata que tem 1,75m de altura e pesa 80 quilos. “A minha classificação dentro da tabela do IMC atualmente tá dando 26,12. E aí eu tô com a classificação de sobrepeso. Só que tem uma questão: eu treino, tenho uma alimentação boa, só que pela classificação do IMC eu tô fora”, disse.
Ele afirma que não questiona a importância do índice como ferramenta inicial de triagem. “Eu não tô aqui pra falar que a avaliação do IMC não é importante. O IMC é uma métrica muito importante no aspecto primário, principalmente pra aquela pessoa sedentária, que não pratica atividade física e tem um peso corporal elevado”, declarou.
No entanto, o profissional aponta preocupação com a interpretação isolada do resultado. “A distorção não ocorre na parte do resultado propriamente dito, mas sim na interpretação de como uma pessoa pode receber esse resultado, principalmente as que não têm acompanhamento de um profissional da saúde”, afirmou.
Composição corporal e possíveis impactos
Para ele, o risco está na associação automática entre peso corporal e gordura. “O peso corporal engloba tudo no nosso corpo: ossos, músculos, órgãos, o líquido do nosso corpo, gordura. E muita gente associa somente ao peso ou percentual de gordura”, explicou.
Igor também alerta para possíveis impactos psicológicos. “A partir desse ‘falso resultado’, a pessoa pode desenvolver transtornos e distúrbios alimentares, treinos excessivos que ao invés de ajudar prejudicam a saúde”, disse.
Apesar das críticas à interpretação, ele reconhece a validade do critério em concursos militares. “Dentro de um concurso público para atividade militar, ele faz sentido sim. É válido solicitar parâmetros que indiquem predisposição de alguma doença ou risco para exercer o cargo”, afirmou.
Ele observa, porém, que os critérios variam conforme o edital. “No concurso da Polícia Militar do Rio de Janeiro, para soldado, já é aprovado o resultado normal e sobrepeso. Nesse de São Paulo é só o normal”, destacou.
Sobre o último concurso da Polícia Militar do Estado do Acre (PMAC), realizado em 2017, ele acrescentou: “Não consta claro em edital a obrigatoriedade do IMC, mas ele acaba sendo incluso na questão médica apenas sobre a incapacidade ou não da realização da atividade policial, o que já leva para um lado mais subjetivo”.
Sugestão de alternativas
Como alternativa, Igor sugere métodos mais detalhados de avaliação corporal. “Uma alternativa seria fazer uma avaliação mais completa com a realização das dobras cutâneas ou até mesmo utilizar balanças de bioimpedância, que mostram resultados mais detalhados em percentual muscular, de gordura corporal e gordura visceral”, afirmou. Ele reconhece que isso demandaria mais tempo. “Dá mais trabalho? Sim. Mas nada que uma parceria com faculdades, secretarias estaduais de saúde ou profissionais dentro da própria polícia não possa resolver”, disse.
Além do debate sobre concursos, o profissional afirma que o objetivo do vídeo foi alcançar iniciantes na prática de atividade física. “Meu objetivo é conversar com você que tá começando uma atividade física hoje, começando a melhorar a alimentação, começando a investir na sua saúde”, declarou.
Ele reforça que o número na balança não deve ser o único parâmetro de avaliação. “Você sobe na balança e não vê aquele número mudar, aquilo ali não te representa. O número da balança não representa sua dedicação e seu esforço. Continue a treinar, a se alimentar melhor, investir na sua saúde”, concluiu.