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Quase dois em cada 10 moradores do Acre ainda usam apenas lenha ou carvão para cozinhar

Quase dois em cada 10 moradores do Acre ainda usam apenas lenha ou carvão para cozinhar

Foto: Adobe Stock

O Acre reduziu de 58,8% para 17% a proporção de moradores que utilizam exclusivamente lenha ou carvão para preparar alimentos entre 1990 e 2025, segundo estimativas históricas com base na Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a partir da PNAD e da PNAD Contínua. Apesar da queda de 41,8 pontos percentuais, o estado ainda permanece acima da média nacional atual, que é de 14,5%.

Os dados integram levantamento divulgado pelo projeto Brasil em Mapas, que compara o cenário de 1990 com a estimativa para 2025. Em 1990, mais da metade da população acreana (58,8%) dependia exclusivamente de lenha e carvão para cozinhar. À época, o Norte registrava média regional de 55%, enquanto o Brasil tinha índice de 48%.

Em 2025, o percentual do Acre cai para 17%, acompanhando a tendência de transição energética observada no país. No entanto, o índice estadual permanece ligeiramente acima da média da Região Norte (17%) e também superior ao percentual nacional (14,5%).

Comparação regional

No recorte regional, o Norte apresenta desigualdades internas. O Pará lidera com 46,8% da população ainda dependente de lenha e carvão, enquanto o Amazonas registra 13,5%. O Acre aparece em posição intermediária dentro da região.

Em 1990, o cenário era mais homogêneo entre os estados nortistas, todos com percentuais superiores a 40%. Três décadas depois, observa-se queda significativa, mas com manutenção de patamares elevados em estados com forte presença rural e comunidades tradicionais.

Perfil socioeconômico

O levantamento indica que o uso exclusivo de lenha e carvão está diretamente associado à vulnerabilidade social. No Brasil, cerca de 11 milhões de lares ainda dependem exclusivamente desse tipo de combustível. Entre famílias de baixa renda, o percentual chega a 25%.

Estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) aponta que 90% da lenha consumida em áreas rurais é coletada sem custo, reforçando a relação entre renda limitada e uso de biomassa.

No Acre, onde há forte presença de áreas rurais, reservas extrativistas e comunidades tradicionais, o acesso facilitado à lenha contribui para a permanência desse tipo de combustível, mesmo com a ampliação do acesso ao gás de cozinha nas últimas décadas.

Impactos na Saúde

A exposição à fumaça de lenha doméstica pode gerar níveis de poluição interna entre 20 e 40 vezes superiores aos recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Mulheres e crianças estão entre os grupos mais afetados, por permanecerem mais tempo no ambiente doméstico.

Transição energética

Em 1985, 55,5% da população brasileira utilizava lenha ou carvão exclusivamente. Em 1990, o índice era de 48%. Em 2025, a proporção nacional é de 14,5%, o equivalente a 30,9 milhões de pessoas. A redução foi impulsionada principalmente pela popularização do gás liquefeito de petróleo (GLP).

No Acre, a queda foi mais acentuada do que a média nacional em termos percentuais, mas o estado ainda enfrenta desafios estruturais para universalizar o acesso a fontes modernas de energia, sobretudo em áreas isoladas.

Programas de subsídio ao gás de cozinha para famílias de baixa renda são apontados como instrumentos para reduzir a dependência da lenha, melhorar as condições de saúde e ampliar a qualidade de vida. Ainda assim, os dados indicam que a transição energética no estado avança, mas permanece marcada por desigualdades regionais e sociais.

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