O desfile dos blocos carnavalescos de Rio Branco, nesta terça-feira, 17, será marcado por um passo importante em direção à representatividade. O bloco 6 é D+, um dos mais tradicionais da capital, entra na avenida com uma novidade histórica em sua ala musical: a presença de vozes femininas se juntando ao comando dos microfones. As cantoras Narjara Saad e Carol Di Deus, integrantes do grupo Moças do Samba, foram convidadas para atuar como puxadoras oficiais do samba-enredo, acompanhando Dida Oliveira (compositor e puxador do samba-enredo da agremiação).
A iniciativa de incluir mulheres na “harmonia” — termo técnico para o grupo que conduz o canto do bloco — partiu de um convite direto de Frank Costa, organizador da agremiação, e do compositor Dida Oliveira. Para as artistas, o convite foi irrecusável, mesmo diante de um planejamento anterior de descanso. Narjara Saad conta que o grupo havia decidido tirar férias em janeiro e fevereiro após um ano intenso de trabalho, mas a relevância do gesto mudou os planos.
“A gente viu a importância dessa representatividade, de ter mulheres puxando o samba-enredo em um bloco assim pela primeira vez. Achamos que devíamos abraçar essa iniciativa para que as pessoas vissem mulheres também nesse lugar”, destaca Narjara. Embora o Carnaval local já tenha registrado participações femininas isoladas em outros momentos, esta é a primeira vez que o 6 é D+ abre esse espaço específico em sua trajetória.
O Enredo: Educação e Raiz
Além do marco na composição da equipe, o bloco leva para a avenida uma mensagem de forte cunho social. O samba-enredo deste ano, intitulado “Favela o Berço da Cultura”, de autoria de Dida Oliveira, narra a história de superação de um jovem da periferia. A letra descreve a trajetória de um “guri” que, driblando as dificuldades entre becos e vielas, utiliza a arte e a educação para transformar sua realidade.
A composição faz uma homenagem direta à cultura das comunidades, citando o funk, o hip hop e o grafite como pilares de expressão. Um dos pontos altos da letra é o incentivo materno, retratado como a força motriz que impulsiona o jovem a “conquistar o mundo” através dos estudos. O desfecho da canção celebra o sucesso desse personagem, que rompe barreiras sociais para se tornar doutor, reafirmando que a “favela é cultura e é raiz”.
Com essa combinação de inovação na voz e uma temática de valorização popular, o 6 é D+ promete um dos desfiles mais emocionantes deste Carnaval, reforçando que o período de festa também é um momento de retorno e afirmação de identidades.
Letra do Samba-enredo: Favela o Berço da Cultura
(Composição: Dida Oliveira)
Olha lá o meu guri, como cresceu Uma joia rara oriundo da favela Jogando bola ele foi driblando a vida Pelos caminhos entre becos e vielas
Era só mais um menino a brincar E no barraco sua mãe sempre a falar Filho corre que esse mundo é teu Aproveita… vai conquistar!
E no caderno uma da vida a construção Levou seu sonho pro banco da escola Foi a voz que o preconceito não calou O orgulho que na vida não enrola
Dancei funk, hip hop quebrei tudo com DJ Nas batalhas fiz as rimas, pelos muros grafitei Mas o estudo… nunca largou O guri quebrou barreiras hoje ele é doutor
Dancei funk, hip hop quebrei tudo com DJ No pulsar da bateria na batida do tambor Favela é cultura, é raiz é divinal 6 é D é favela… hoje nesse Carnaval!








