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Justiça mantém prisão de empresário alvo da Operação Regresso e nega pedido de prisão especial

Justiça mantém prisão de empresário alvo da Operação Regresso e nega pedido de prisão especial

Abrahão Felício Neto é um dos alvos da Operação Regresso - Foto: Reprodução

A Justiça do Acre decidiu manter a prisão preventiva do empresário Abrahão Felício Neto, um dos alvos da Operação Regresso, e negou o pedido da defesa para que ele fosse colocado em prisão especial. A decisão foi tomada durante audiência de custódia realizada na quarta-feira, 11, na 1ª Vara Criminal da Comarca de Rio Branco.

Na decisão, a juíza Isabelle Sacramento Torturela homologou o cumprimento do mandado de prisão preventiva e também o auto de prisão em flagrante por posse ilegal de arma de fogo. Conforme o entendimento do Judiciário, não houve alteração nos fatos que justificaram a prisão cautelar, além de ter sido considerada a gravidade dos crimes investigados.

A defesa chegou a solicitar que o empresário fosse custodiado em unidade especial, como batalhão policial, alegando repercussão do caso na mídia e nas redes sociais, mas o pedido foi indeferido.

O que foi apreendido na casa

O portal A GAZETA teve acesso ao processo que detalha o material recolhido durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão na residência do empresário, em Rio Branco. A reportagem não conseguiu contato com a defesa até a última atualização desta matéria.

Segundo os autos, os policiais localizaram uma pistola calibre .40 de uso restrito com 33 munições intactas, além de uma garrucha — arma antiga de pequeno porte — sem registro, considerada inicialmente obsoleta e ainda sujeita à perícia.

Também foi apreendida uma porção de substância semelhante à maconha, aparelhos celulares e dois veículos. Conforme registros da investigação, um dos automóveis teria sido utilizado em situações relacionadas às apurações sobre tráfico de drogas.

O processo ainda indica que o empresário optou por permanecer em silêncio durante o interrogatório policial.

Ligação com grupo empresarial

O empresário é neto dos fundadores do Grupo Miragina. Conforme informado anteriormente pela Ficco, a empresa não é investigada na Operação Regresso. A presença da Polícia Federal na sede do empreendimento ocorreu porque, segundo os investigadores, um dos investigados teria utilizado indevidamente a estrutura da empresa, sem qualquer vínculo formal com a gestão ou participação societária.

Em nota divulgada nessa quarta, a Miragina S/A Indústria e Comércio afirmou que não é alvo direto ou indireto da operação, não figura como investigada e que nenhuma diligência foi realizada contra a empresa. A companhia também reafirmou compromisso com a legalidade, transparência e continuidade das atividades.

Operação investiga tráfico e lavagem de dinheiro

A Operação Regresso tem como foco o combate ao tráfico interestadual de drogas e à lavagem de dinheiro, com mandados cumpridos no Acre e em Sergipe. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 5 milhões em bens e valores de investigados para atingir a estrutura financeira do grupo suspeito.

Também foram registrados flagrantes por posse ilegal de arma de fogo em cidades do Acre, apreensão de veículos e dinheiro em espécie.

As investigações apontam atuação estruturada de organização criminosa voltada ao tráfico de entorpecentes, com uso de mecanismos para ocultação patrimonial, como empresas de fachada e pessoas interpostas. Pelo menos cinco episódios investigados resultaram na apreensão aproximada de 350 quilos de cocaína em diferentes estados.

Os investigados podem responder por tráfico de drogas, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro e outros crimes que venham a ser identificados ao longo das apurações.

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