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Fim da escala 6×1: Socorro Neri diz que Congresso tem ambiente favorável para reduzir jornada de trabalho

Fim da escala 6x1: Socorro Neri diz que Congresso tem ambiente favorável para reduzir jornada de trabalho

Foto: Vitor Paiva

A discussão sobre a mudança na escala de trabalho 6×1 voltou ao debate político nacional e, segundo a deputada federal Socorro Neri, há um cenário favorável no Congresso para a aprovação de uma proposta que reduza a jornada semanal. A parlamentar defendeu o modelo de 40 horas semanais, com cinco dias de trabalho e dois de descanso, durante participação na abertura do ano letivo da rede estadual, ao comentar convite da deputada Erika Hilton para colaborar na construção do projeto.

“De fato, eu estou acompanhando esse projeto desde o início, desde a discussão inicial e venho acompanhando o tempo todo”, afirmou. Segundo ela, a escala atual representa excesso para os trabalhadores. “Chega de escravidão branca, de escravidão legalizada, 6×1 é escravidão pura.”

A parlamentar citou exemplos internacionais ao criticar flexibilizações trabalhistas. “A gente está vendo exemplos péssimos, inclusive na Argentina, em que nem hora extra vai ser paga a partir de agora.”

Tramitação no Congresso

Sobre o andamento da proposta, Socorro Neri avaliou que o ambiente político é positivo para mudanças na legislação trabalhista. “Graças a Deus, há um ambiente hoje na Câmara dos Deputados, no Senado, no governo federal, muito favorável à aprovação desse PL, dessa PEC, dessa proposta de emenda à Constituição.” Apesar disso, ponderou: “Eu não acredito, de fato, que o projeto original vá ser aprovado.”

A deputada acredita que o consenso deve ocorrer em torno de uma jornada reduzida. “Acho que há um ambiente muito claro para aprovarmos 40 horas semanais no máximo e para aprovarmos 5 dias por semana de trabalho e 2 dias de folga. Isso já será um avanço muito grande.”

Críticas e debate público

A parlamentar também mencionou resistência de parte da imprensa ao projeto. “Há toda uma campanha que nós temos visto, inclusive, nos grandes jornais, nos grandes meios de comunicação do país, contra essa medida.” E comparou com debates anteriores: “A gente já viu isso também em medidas anteriores que favoreciam os trabalhadores, como por exemplo, na questão do 13º.”

Ao comentar o cenário político, afirmou: “Na verdade hoje está a serviço de quem não quer mudança no Brasil, que é tão somente que o Brasil siga mantendo os seus status, mantendo os seus privilégios, à custa de quem trabalha e que é muito mal remunerado.”

Impactos econômicos e sociais

Para Socorro Neri, a eventual mudança não traria prejuízos econômicos. “Você tem hoje uma situação que não é mais sustentável. O Brasil não vai quebrar, o emprego não vai desaparecer.” E concluiu: “O que nós teremos, na verdade, é mais qualidade de vida para o trabalhador, para que ele possa conviver com a família, para que ele possa acompanhar a escola, para que ele possa cuidar da própria saúde. Sem escravidão, o Brasil não aguenta mais. Vamos seguir em frente.”

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