O debate nacional sobre a extinção da jornada de trabalho 6×1, modelo em que o trabalhador tem apenas uma folga após seis dias de serviço, tem gerado debates de diferentes visões no Acre. A discussão, que mobiliza movimentos sociais e sindicatos em todo o país, coloca em lados opostos representantes do setor produtivo e lideranças políticas ligadas à defesa dos direitos trabalhistas.
A polêmica no estado se intensificou após declarações da presidência da Associação Comercial, Industrial, de Serviço e Agrícola do Acre (Acisa), Patrícia Dossa. A entidade manifestou preocupação com a viabilidade econômica da mudança, argumentando que o fim do modelo atual poderia resultar em demissões em massa e no repasse de custos para o consumidor final, gerando inflação nos preços de produtos e serviços.
Em contrapartida, vozes em defesa da proposta argumentam que o custo humano da jornada atual é insustentável. A secretária de Mulheres do PT do Acre, ativista social e professora, Neide Lopes, se posicionou publicamente, nesta terça-feira, 17, contra a visão do setor empresarial, defendendo que a centralidade do debate deve ser a dignidade humana.
“A escala 6×1 é a normalização do cansaço extremo. É o trabalhador que não tem tempo de estudar, descansar ou viver”, afirmou Neide.
Para os defensores da redução da jornada, a resistência do setor patronal não é estritamente técnica. Neide Lopes classifica a manutenção da escala como uma “escolha política” que prioriza margens de lucro em detrimento da saúde mental e física da classe trabalhadora. Segundo a ativista, o modelo impede que o cidadão invista em qualificação e conviva com a família.
Ser contra o fim da 6×1 não é ‘opinião econômica’. É escolha política. É escolher manter o povo exausto para garantir margens de lucro confortáveis”, declarou.
Cenário nacional
A discussão no Acre reflete o movimento que ocorre em Brasília. O presidente Lula tem sinalizado apoio à revisão da escala, integrando o tema à agenda de valorização do trabalho e melhoria da qualidade de vida.
Enquanto entidades de classe temem os impactos no Produto Interno Bruto (PIB) e na folha de pagamento das pequenas empresas, partidos de esquerda e movimentos sociais reforçam que a transição para modelos mais flexíveis (como a escala 5×2 ou 4×3) é um passo necessário para a modernização das relações de trabalho no Brasil.