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A Avenida Getúlio Vargas, no coração de Rio Branco, voltou a ganhar as cores e a irreverência de um dos blocos mais icônicos da história acreana. Desde às 17h deste domingo de Carnaval, 15, os foliões do Bloco Urubu Cheiroso já ocupam o entorno do prédio do INSS, dando início à concentração de um desfile que marca não apenas o retorno da agremiação, mas o resgate de uma memória afetiva que atravessa gerações.
O retorno às ruas neste 2026 atende a um pedido especial: o dos filhos e netos dos fundadores. Álvaro Mendes, um dos pilares do coletivo, não esconde a satisfação ao ver a mistura de idades na avenida.
“É legal demais! Nossos filhos e netos pediram que a gente voltasse. O Urubu agora vem com uma nova roupagem, de forma espontânea, um bloco família onde todo mundo vem como quiser”, celebrou Álvaro durante a concentração.
Com o tema “Venha do jeito que der – o importante é ser Urubu Malandro!”, o bloco reflete o espírito democrático da festa. Na concentração, é possível ver veteranos dos anos 80 relembrando os tempos da “Gravata” de cajá, crianças e jovens vivenciando a tradição pela primeira vez, forte presença da comunidade LGBT, pessoas com deficiência e idosos.
“Tá chegando gente de 100 anos que saía com a gente naquela época e quer sair de novo”, conta Álvaro, reforçando que o trajeto, que seguirá da Getúlio Vargas até a ponte metálica.
Do “sujo” ao título: uma história de resistência
Fundado em 1983, o Urubu Cheiroso nasceu da ironia e da simplicidade. O nome, inspirado em uma brincadeira de arquibancada num clássico Fla-Flu, casou perfeitamente com o cenário da Rio Branco da década de 80. O bloco, que começou “sujo” (sem fantasias luxuosas), chegou a arrastar 10 mil pessoas e conquistou o tetracampeonato oficial entre 1986 e 1989.
Após o hiato iniciado em 1991, quando a falta de apoio extinguiu os desfiles de clubes e escolas, o grupo entende que o período de recesso serviu para fortalecer a fé na cultura local. Como diz a máxima do coletivo: o descanso preparou o retorno para quando os trabalhos reabrissem.







